Polícia detalha suposto esquema dentro da Prefeitura de Goiânia e coloca Denis Pereira "no centro"
Na quarta-feira (20), os mandados de busca e apreensão foram executados. O delegado Francisco Lipari, responsável pela investigação, compartilhou informações cruciais sobre o modus operandi dos envolvidos

Uma operação da Polícia Civil investiga um suposto esquema de corrupção que teria manipulado licitações na Prefeitura de Goiânia, visando obter contratos para obras de recapeamento da malha asfáltica na capital. De acordo com as autoridades, mais de R$ 50 milhões foram supostamente desviados por meio desses contratos, destinados ao fornecimento de materiais.
Apuração policial coloca o secretário Denis Pereira, que comanda a Infraestrutura de Goiânia, e já foi secretário de Administração e presidente da Comurg, no centro das investigações, já que a partir do segundo semestre de 2022, quando o secretário comandava as duas pastas, Infraestrutura e Administração, coincide com os aumentos contratuais com as empresas investigadas.
Na quarta-feira (20), os mandados de busca e apreensão foram executados, revelando detalhes sobre o funcionamento do esquema. O delegado Francisco Lipari, responsável pela investigação, compartilhou informações cruciais sobre o modus operandi dos envolvidos.
Como o Esquema Operava
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Empresas Fantasmas e Licitações Fraudadas:
- Dois casais estavam no centro do esquema. Eles eram proprietários de três empresas que participaram de cinco licitações promovidas pela prefeitura em 2022. Essas licitações ocorreram sob a forma de pregão eletrônico.
- As empresas, no entanto, não eram legítimas. Elas não possuíam licença da Agência Nacional do Petróleo (ANP) para fornecer materiais de construção e matéria-prima para a produção de asfalto.
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Contratos Suspeitos:
- A polícia identificou dez contratos em favor dos investigados. Esses contratos supostamente envolviam o fornecimento de insumos para obras de recapeamento.
- Os materiais deveriam ser adquiridos da ANP, mas as empresas não seguiram esse procedimento legal.
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Núcleo Empresarial Investigado:
- O esquema era liderado por dois casais:
- José Teodoro de Oliveira e sua ex-esposa, Wilma Alves de Sousa, sócios da empresa Comercial J. Teodoro Ltda.
- Raimundo Rairton Paulo de Assunção e sua esposa Jakeline Dutra de Aguiar Assunção, sócios administradores das empresas Sobrado Materiais para Construção Eireli e Gyn Comercial e Atacadista Ltda.
- O esquema era liderado por dois casais:
Ainda de acordo com as investigações, no centro do esquema estaria o secretário de Infraestrutura Denis Pereira, que também é ex-secretário de administração, já que os contratos com essas empresas teriam subido cerca de 1400% desde que o servidor assumiu o comando das pastas.
As três empresas, Comercial J. Teodoro Ltda., Sobrado Materiais para Construção Eireli e Gyn Comercial e Atacadista Ltda., tem contratos com a Secretaria de Infraestrutura, com a Agência Municipal de Meio Ambiente (AMMA) e com a Comurg.
A Comercial J. Teodoro Ltda., que tem como atividade principal o comércio de ferragens e ferramentas. A Gyn Comercial Atacadista vende material elétrico e a Sobrado Construção executa obras de saneamento básico e infra estrutura.
Cinquenta contratos foram analisados para o fornecimento de areia, barras de ferro e diversos outros itens, além de massa asfáltica.
A apuração dos documentos levou ao nome de Denis Pereira, que também foi presidente da Comurg em 2017, já que a partir do segundo semestre de 2022, quando o secretário comandava a Infraestrutura e a Administração de Goiânia, "coincidentemente" é o período em que essas empresas começaram a ter aumentos significativos nos contratos.
A J Teodoro, antes da gestão de Denis, tinha cerca de R$ 5 milhões em contratos com a Prefeitura de Goiânia, até julho de 2022. Após o período, esses contratos passaram dos R$ 50 milhões.
A Gyn Comercial tinha próximo de R$ 9,5 milhões em contratos. Na gestão de Denis foi para R$ 72 milhões.
Já a Sobrado Materiais era na ordem de R$ 1 milhão, com a gestão de Denis o montante em contratos foi para R$ 16 milhões.
Sobre as irregularidades, um dos contratos entre a J Teodoro e a Comurg para o fornecimento de sacos plásticos para lixo teve nova licitação antes do término do contrato na ordem de R$ 10 milhões. Os investigadores encontraram fortes indícios de fraudes, já que o caos que a Capital sofreu com a falta do recolhimento do lixo pode mostrar que, apesar do pagamento em dia por parte da Comurg, a empresa contratada poderia não estar fornecendo o produto.
Vários outros contratos investigados foram assinados pelo presidente da Comurg, Alisson Borges.
Contratos com a AMMA também chamam a atenção da polícia. Um deles, com a Sobrado Materiais de Construção, no valor de R$ 773 mil, para o fornecimento de tijolos, pode ter sobrepreço.
Ainda segundo a investigação, as três empresas entravam na licitação com preços bem abaixo dos praticados no mercado, venciam os concorrentes, mas na hora de prestar o serviço pediam aditivos, ou seja, um complemento no valor desses contratos.
Ainda segundo a apuração, para manter o suposto esquema funcionando, esses empresários contavam com ajuda de servidores públicos, como fiscais e gestores de contratos, que assinavam documentos atestando a regularidade das fraudes.
"É o que está sendo apurado, o modus operandi de participação nas licitações, que seria a oferta de lances em menor valor, substancialmente menores e, em alguns casos, até inexequíveis", explica o delegado Francisco Lipari.
A Polícia chegou a pedir a prisão temporária dos envolvidos, incluindo o do secretário Denis Pereira, do presidente da Comurg, Alissos Borges, e do presidente da AMMA, Luan Alves, mas a Justiça entendeu que neste primeiro momento apenas os mandados de busca e apreensão, cumpridos nessa quarta-feira (20), eram suficiente para o andamento das investigações.
Nota da Secretaria de Infraestrutura:
"O secretário Denis Pereira está tranquilo quanto à investigação que apontou que 87% dos contratos investigados foram firmados com a Comurg sem relação com o secretário. Ainda que Denis não conversa diretamente com as empreiteiras e que mantém processo transparente quando a contratação das mesmas. E que o aumento no número de contratos coincide com a gestão de Denis Pereira à frente da Seinfra, já que o Programa Goiânia Adiante foi lançado em outubro de 2022 e que a pasta está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos".

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