PL liga "alerta" enquanto o deputado segue em "silêncio absoluto"
O caso envolvendo o deputado federal Professor Alcides (PL-GO) em caso "amoroso" com adolescente abalou a estrutura do Partido Liberal tanto em Goiás quanto em nível nacional

O caso envolvendo o deputado federal Professor Alcides (PL-GO) abalou a estrutura do Partido Liberal (PL), tanto em Goiás quanto em nível nacional. As graves denúncias contra o parlamentar incluem relatos de um suposto relacionamento envolvendo um adolescente que, segundo investigações, teria começado quando o menor tinha apenas 13 anos. Além disso, a situação se agrava pela acusação de que o deputado teria ordenado que o jovem tivesse os celulares roubados em uma tentativa de esconder provas sobre o suposto caso, gerando uma onda de incredulidade e desconforto dentro da sigla.
A denúncia contra Professor Alcides foi registrada na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Aparecida de Goiânia no dia 12 de novembro. Segundo o depoimento da mãe do adolescente, o contato inicial ocorreu em 2021, quando o deputado, aproveitando-se de sua posição como dirigente das categorias de base do Atlético Goianiense, criou um falso contexto de seleção para a equipe sub-16 do clube.
De acordo com o relato, o jovem teria sido levado para a casa do parlamentar em um condomínio fechado em Aparecida de Goiânia, onde o político teria tentado se aproveitar da vítima ao retirar todas as outras pessoas da sala, deixando o adolescente sozinho. Embora os avanços tenham sido inicialmente rejeitados pela vítima, um segundo encontro teria resultado no início do suposto relacionamento entre o jovem e o deputado.
As investigações apontam que o jovem, agora com 16 anos, alega ter sido roubado por ordem de Alcides – um ato supostamente realizado para destruir evidências do caso. Segundo detalhes divulgados pela imprensa, o parlamentar tem sido descrito como o mandante da ação, levando o caso a um patamar ainda mais grave.
Desde que o caso veio a público, o deputado Professor Alcides não fez qualquer pronunciamento oficial sobre as acusações, adotando uma postura de silêncio absoluto. Enquanto isso, sua equipe de comunicação evitou abordar o caso diretamente, limitando-se a ações institucionais em suas redes sociais.
A ausência de qualquer manifestação pública do parlamentar ou de sua defesa legal tem contribuído para o crescimento de especulações, tanto na esfera política quanto entre a opinião pública. Para membros do Partido Liberal, o silêncio de Alcides representa um agravamento da situação, aumentando a pressão sobre a legenda para tomar uma posição e evitar danos mais profundos à sua imagem.
O caso causou um desconforto significativo dentro do PL, em especial pela contradição que representa em relação à linha ideológica defendida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, figura de maior influência na sigla. Bolsonaro foi, ao longo de seu mandato, um ferrenho defensor de medidas rígidas contra crimes de exploração sexual de menores, incluindo propostas como a castração química de abusadores.
Agora, a ligação de um integrante do partido a um caso de tal gravidade expõe o PL a questionamentos sobre suas práticas internas e a coerência de seu discurso público. Enquanto os diretórios estadual (liderado pelo senador Wilder Morais) e nacional (sob comando do ex-ministro Valdemar Costa Neto) optam por não se posicionar oficialmente, a base bolsonarista expressa preocupação com a situação e os potenciais impactos negativos à imagem do partido.
Segundo fontes internas, o caso já levou a debates nos bastidores sobre a possibilidade de expulsão de Alcides da sigla, embora nenhuma decisão oficial tenha sido tomada. Valdemar Costa Neto tem acompanhado de perto os desdobramentos, mas ainda aguarda um posicionamento formal do parlamentar ou de seus representantes para avaliar as medidas cabíveis.
No cenário interno, o PL se vê em um impasse. De um lado, há vozes que defendem uma postura imediata e firme contra o deputado para demonstrar alinhamento com os valores que o partido prega publicamente. Do outro, há temores de que qualquer movimente precipitado possa desencadear efeitos colaterais graves, principalmente em um momento de fragilidade política no plano nacional.
A avaliação de dirigentes da cúpula tem sido baseada no impacto direto que o caso pode ter na credibilidade do partido e de seus parlamentares, especialmente em Goiás, onde o PL busca consolidar sua posição como força política relevante.
“Este caso é uma bomba que precisa ser cuidadosamente desarmada, pois o que está em jogo é muito mais do que um mandato – é a integridade da legenda e nossa confiança junto ao eleitorado”, afirmou um membro do diretório estadual, sob condição de anonimato.
As investigações sobre o caso continuam sendo conduzidas pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Aparecida de Goiânia.
O Partido Liberal, por sua vez, segue pressionado a agir incisivamente para mitigar os danos e demonstrar comprometimento com valores éticos. Entretanto, a demora em um posicionamento oficial pode agravar o desgaste da legenda, afetando sua posição no cenário político goiano e nacional em um momento já marcado por divisões internas e desafios de imagem.

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