Peixoto dá reajuste acima do governo, ignora comissionados e pressiona por mais verba
O anúncio ocorre em meio à pressão de servidores e à articulação da Assembleia por ampliação do teto de gastos a partir de 2026.

Em ano eleitoral, o presidente da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), Bruno Peixoto (UB), anunciou nesta quarta-feira (25) um reajuste de 9,26% nos salários dos servidores efetivos da Casa. O percentual supera o índice de 4,26% adotado pelo governo estadual para o funcionalismo do Executivo, que costuma servir de referência para os demais poderes.
O aumento, porém, não contempla os servidores comissionados, que não terão qualquer reposição, nem mesmo inflacionária. Ao justificar a medida, Bruno Peixoto destacou o equilíbrio financeiro do Legislativo e afirmou que o reajuste é um reconhecimento ao trabalho dos concursados. Ele também prometeu enviar, nos próximos dias, um projeto de lei para instituir um plano de cargos e salários, reivindicação antiga da categoria.
Ampliação do teto de gastos
O anúncio ocorre em meio à pressão de servidores e à articulação da Assembleia por ampliação do teto de gastos a partir de 2026. A Alego negocia com a Secretaria da Economia um aumento de R$ 110 milhões no limite de despesas, o que elevaria o orçamento anual para cerca de R$ 948 milhões. A intenção é incluir novamente no cálculo valores do Fundo Especial de Modernização e Aprimoramento Funcional (Femal), tomando como base o ano de 2021.
Sem a mudança, o teto de gastos previsto seria de R$ 838 milhões, o que, segundo parlamentares, comprometeria despesas com pessoal e funcionamento da Casa. A alteração dependeria de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), ainda não apresentada formalmente.
Resistência de Caiado
A iniciativa, no entanto, enfrenta resistência do governador Ronaldo Caiado (PSD), que já se posicionou contra qualquer flexibilização específica. O chefe do Executivo defende que todos os órgãos sigam as regras estabelecidas pela lei federal do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), sem exceções.
Além da Assembleia, outros órgãos também buscam ampliar seus limites orçamentários. A Defensoria Pública do Estado de Goiás (DPE-GO), por exemplo, pleiteia aumento de R$ 99,5 milhões no teto.
Para cumprir as regras fiscais, o governo estadual já adotou medidas de contenção de despesas, com bloqueio de mais de R$ 619 milhões no orçamento deste ano. Secretarias como a Geral de Governo, Saúde e Retomada foram as mais atingidas pelos cortes.

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