Pastor Wilson expõe áudio, fala de intimidação e acusa "vereador" de pagar R$ 1 milhão para cassar vereadores
O vereador se esquivou e disse não ter mencionado o nome de Igor Franco, que supostamente estaria por trás das articulações, durante conversa com os jornalistas nessa terça-feira (07)

Durante sessão realizada na manhã dessa terça-feira (7), na Câmara Municipal de Goiânia, o vereador Pastor Wilson (PMB) denunciou suposta intimidação. As ameaças foram reveladas por meio de um áudio veiculado na tribuna da Casa, atribuído a um suoposto assessor do vereador Igor Franco (Solidariedade), e teriam o objetivo de fazer com que o parlamentar [Pastor Wilson] atendesse "exigências" do colega, que é um dos líderes do bloco Vanguarda, composto por outros cinco vereadores, e que teria sido retaliado pelo prefeito Rogério Cruz (Republicanos) após exoneração de mais de 100 servidores comissionados, indicados pelo grupo.
No áudio, o suposto assessor fala que Franco teria uma reunião com o prefeito para ver "o que 'tá pegando" após as demissão "em massa", que inclui o irmão do vereador, Diogo Franco. Acrescenta ainda que o vereador teria pago R$ 1 milhão para "derrubar" dois vereadores cassados. Pastor Wilson entendeu como intimidação, levou para tribuna e denunciou o caso.
"O Igor vai lá hoje pessoalmente no prefeito resolver com ele de novo, para ver o que aconteceu, para ver o que 'tá pegando'. Segundo ele, vai forçar a barra com o prefeito lá e, se for preciso, vai agilizar mais rápido ainda a cassação de alguns vereadores que estão atrapalhando ele. Dinheiro ele tem. Aliás, a família dele tem dinheiro demais. Só nessa aí, [de] derrubar, na verdade foi o último agora, que foi o Marlon mais (sic) o Professor Márcio. Foi no STF, lá foi 'um pauzinho', 1 milhão que ele pagou lá", diz o áudio gravado pelo suposto assessor de Igor Franco e enviado a uma assessora do Pastor Wilson, segundo a denúncia.
Além do áudio, os prints da conversa foram registrados por Pastor Wilson em cartório, por meio de uma Ata Notarial. Após expor o conteúdo, o vereador pretende levar o caso à Câmara, para que a Casa tome providências faça com que a denúncia, que classifica como "grave", chegue à Corte do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O parlamentar pretende ir a Brasília para tratar sobre o caso.
Em entrevista, Pastor Wilson se esquivou e disse não ter mencionado o nome de Igor Franco, que supostamente estaria por trás das articulações.
"Eu queria dizer a todos vocês que eu não citei o nome do vereador. Fui bem claro, chegou ontem na nossa reunião um áudio e esse áudio, eu chamei a pessoa que recebeu, registramos uma Ata Notarial em cartório para nós mostrarmos para a imprensa a que ponto nós chegamos. Eu não acredito... tenho certeza que a Corte do TSE não está sabendo disso aí. Então, como é uma denúncia grave, eu precisava trazer isso. Porque todas as vezes que vai num setor, fala que o vereador Pastor Wilson vai cair, que tal dia 'fulano' vai cair, vai cair mais quatro, mais cinco... Ora, pera aí (sic)! nós temos que entender melhor por que é que nós vamos cair. Isso é uma denúncia grave e ela precisa ser apurada", afirmou.
Após expor o conteúdo, o vereador pretende levar o caso à Câmara, para que a Casa tome providências faça com que a denúncia, que classificou como "grave", chegue à Corte do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O parlamentar pretende ir pessoalmente a Brasília nesta terça-feira para tratar sobre o caso.
"Eu venci todas as instâncias em Goiânia, ganhei lá na Corte do TSE. Aí depois vem um áudio desse? Será que eu vou ser a próxima vítima? Eu, a Leia Klebia, o Edgar Duarte, enfim... todos os vereadores são a próxima vítima? Então, por isso que eu vou até a Corte do TSE levar essa denúncia pessoalmente", reforçou.
Apesar da informação veiculada no áudio, de que um ministro teria recebido R$ 1 milhão para derrubar vereadores, Pastor Wilson disse acreditar que a situação não chegou ao conhecimento desse ministro, que não teve o nome citado.
"Eu não vou falar que ele vai ser punido porque eu acredito que isso não chegou nele. Ele levou muitos anos para estudar, formar, para não fazer esse tipo de coisa. Eu acredito na Corte do TSE, eu acredito que ele nem está sabendo disso aí. Mas, que nós vamos averiguar esse áudio, ir atrás para [saber] onde foi parar esse dinheiro, isso cabe ao TSE", reforçou o vereador.
Outro lado
O G5News entrou em contato com o vereador Igor Franco, que negou que o áudio tenha qualquer ligação com ele, que a pessoa que enviou não faz parte da sua equipe e que vai entrar com processo contra o colega para que ele responda na Justiça pelas falas na tribuna da Casa.
"Pegou uma conversa de rádio peão e jogou para cima para colocar na minha conta. O responsável pelo páudio não é da minha equipe, não é da minha assessoria, tanto que o próprio Pastor Wilson, no discurso dele fala que não é. Isso que ele falou na tribuna vou entrar com interpelação judicial", disse Igor Franco ao G5News.
Franco ainda emitiu uma nota oficial sobre o fato. Confira abaixo:
"Tendo em conta o lastimável episódio de acusações levianas ocorridos hoje na Câmara Municipal de Goiânia, nos importa esclarecer o que segue. Assim como vem ocorrendo em todo país, inúmeras chapas vêm sendo cassadas pelo TSE por fraude à cota do gênero feminino. Um candidato, advindo de uma chapa fraudada, ou seja, que não foi eleito legitimamente, na tentativa tosca, infeliz e atabalhoada de intimidar Juízes do Tribunal Superior Eleitoral - TSE, apresentou um áudio do ano passado de um servidor efetivo da Prefeitura de Goiânia onde o mesmo faz ilações inverídicas e levianas de que este Vereador pagaria um milhão por cada cassação desta Câmara junto ao TSE. Tal acusação requentada, lastreada em áudio do ano passado, referindo-se inclusive à Decisão de cassação do Partido Cidadania pelo Ministro aposentado Ricardo Lewandowisk, revela-se tosca por sua própria essência. Tal conduta manifesta tão somente o desespero e despreparo daquele que está fazendo hora extra na Câmara Municipal de Goiânia e intentando um matreiro e infrutífero plano de tentar intimidar a Justiça Eleitoral.
Deste modo, registro meu profundo repúdio e reproche a tal prática leviana deste indivíduo que nem sequer eleito foi o qual intenta em intimidar o TSE e seus Membros a não seguir corrigindo as fraudes perpetradas na linha de sua pacífica jurisprudência".

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