Pastor e ex-assessor da Câmara de Anápolis acusado de compra e venda de diplomas falsos
Denis Augusto Gonçalves e outros três líderes religiosos são investigados e foram indiciados pelo esquema fraudulento usados inclusive para concursos públicos

A Polícia Civil do Estado deu início a uma operação que resultou no indiciamento de quatro líderes religiosos, entre eles Denis Augusto Gonçalves, um pastor e ex-assessor parlamentar, por envolvimento em um esquema de compra e venda de diplomas falsos.
As investigações revelam detalhes do funcionamento do esquema, que fornecia documentos acadêmicos fraudulentos, usados inclusive para concursos públicos.
Uma gravação interceptada pela polícia mostra uma conversa entre um interessado em adquirir um diploma falso e um contato intitulado de Pastor Dennis. Na conversa, o indivíduo questiona sobre a possibilidade de adquirir um diploma de faculdade, ao que o pastor responde afirmativamente.
O interessado prossegue indagando se o documento poderia ser utilizado até mesmo em concursos da polícia, ao que Dennis confirma a validade do mesmo.
Dennis apresentou uma tabela de valores, onde um diploma de ensino médio custaria R$ 2.500, e o de ensino superior R$ 4.000. Ele enfatiza que não é responsável pela confecção dos diplomas, mas apenas pela intermediação, afirmando que já houve casos de sucesso em concursos públicos e nas prefeituras.
De acordo com a Polícia Civil, o contato identificado como Denis Augusto Gonçalves teria adquirido um diploma de gestão pública pela Faculdade FacLife em julho de 2022. Entretanto, a instituição não possui a autorização do MEC para oferecer tal curso, evidenciando a ilegalidade do documento. O delegado responsável destacou que "o certificado fornecido é um claro exemplo de documento acadêmico falso".
Com este documento, Denis garantiu o cargo de assessor parlamentar tipo II no gabinete do vereador Wederson Cristiano da Silva Lopes, do partido União Brasil, em 3 de janeiro de 2023, com salário mensal superior a R$ 4.700. Permaneceu na posição por 18 meses antes das irregularidades serem descobertas.
As investigações do esquema de diplomas falsos tiveram início em janeiro de 2024 e resultaram no indiciamento de Denis juntamente com outros três líderes religiosos, incluindo uma mulher. Até o momento, a polícia apreendeu cerca de 20 diplomas falsificados de diversas instituições, além de carimbos, celulares e computadores.
O envolvimento das universidades no esquema ainda está sob apuração, buscando determinar se foram cúmplices ou vítimas das fraudes.
Outro Lado
Denis Augusto Gonçalves declarou que tomou conhecimento do indiciamento por meio da reportagem e se defende alegando ter sido vítima de um golpe. Ele nega ter realizado qualquer curso de gestão pública.
O vereador Wederson Lopes, responsável pela contratação de Denis, afirma desconhecer a existência de qualquer diploma ou documento falso.
A investigação continua em andamento.

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