O deputado estadual Cairo Salim (MDB) o nível dos confrontos e discussões ocorridos na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) e afirmou que ameaças e agressões prejudicam a imagem do parlamento goiano. O clima na Casa voltou a ganhar repercussão após uma troca pública de ataques entre o deputado Major Araújo (PL) e o coronel da Polícia Militar de Goiás, Edson Raiado, pré-candidato da deputado estadual.
Salim afirmou que o debate político não pode ultrapassar os limites do respeito e parte desse tipo de comportamento acaba sendo incentivada pela repercussão nas redes sociais. “Infelizmente existe uma grande parcela do eleitorado que gosta de ver sangue, gosta de ver carnificina e é isso que viraliza na rede. Tem político que vive disso. Tem uma parte do eleitorado goiano que gosta da porrada, da pancadaria”, disse.
A polêmica começou após Major Araújo atacar Raiado durante entrevista à Rádio Bandeirantes e depois em discurso na Alego. Ao comentar a presença do coronel no plenário, o parlamentar afirmou que estaria sendo intimidado. Apesar das críticas, Salim afirmou que cabe à população decidir, nas urnas, se aprova ou não esse tipo de postura.
“Não venham cobrar que nós deputados paralisemos eles com punições ali dentro. Quem colocou eles foi o povo. Quem tem que dizer se eles merecem estar lá ou não é o povo na urna”, completou o deputado, que pretende concorrer a nova eleição.
Entenda o caso
A polêmica começou após Major Araújo atacar Raiado durante entrevista à Rádio Bandeirantes e depois em discurso na Alego. “O que esse bosta tá fazendo aqui? Isso aí é o Raiado querendo me intimidar aqui? É um idiota mesmo. É um mané. Isso aí é o coronel do PCC”, declarou Major Araújo.
Na sequência, o deputado citou investigações envolvendo o militar. “Serve o PCC. Investigado pela Operação Carbono Oculto”, afirmou.
Resposta
Após os ataques, Edson Raiado publicou um vídeo nas redes sociais relacionando Major Araújo ao suspeito de matar a menina Ana Clara Pires Camargo, de 7 anos, em 2017. As imagens mostram uma reportagem da época informando que o deputado teria se encontrado com Luis Carlos Costa Gonçalves, apontado como suspeito do crime.
Na época do caso, Major Araújo confirmou que conhecia Luis Carlos e afirmou que o aconselhou a se entregar às autoridades. Segundo informações divulgadas à época, o parlamentar teria falado com o suspeito pouco antes de o corpo da criança ser encontrado.
Na legenda da publicação, Raiado fez duras críticas ao deputado. “Inversão de valores? Infelizmente, é o que temos visto. É inadmissível que o crime organizado encontre eco dentro das casas legislativas. Defender ladrão e atacar a polícia não é fazer política, é trair o povo brasileiro”, escreveu.
O coronel ainda afirmou que “a política deve servir ao cidadão, não ao crime” e questionou seguidores sobre a necessidade de uma “limpeza ética” nas instituições.
Vai para Justiça
Em resposta, Major Araújo afirmou que pretende acionar a Justiça caso sejam identificados crimes contra sua honra na publicação. “Já mandei para o meu advogado avaliar. Se houver cometimento de crime mesmo, eu vou entrar [na Justiça]”, afirmou.
O deputado também declarou que pretende provocar a própria Polícia Militar contra Raiado e chamou o coronel de “bandido”. Segundo Major Araújo, o vídeo divulgado teria apenas resgatado um episódio antigo para atacá-lo politicamente.
Major Araújo ainda afirmou que os conflitos com Raiado são antigos e remontam ao período em que presidia uma entidade classista ligada à Polícia Militar. Segundo ele, o primeiro atrito ocorreu quando Raiado ainda era aspirante da corporação.
“Desde quando ele era aspirante eu tive problema com ele”, afirmou. O deputado alegou ainda que o coronel teria determinado a prisão de um sargento após o militar se recusar a produzir um relatório no lugar dele. “Ele nunca respeitou hierarquia”, declarou.
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