Para eleger Lula, PT quer sacrificar Adriana Accorsi na disputa ao Governo de Goiás
Coordenadora da campanha de Lula cita caso Haddad e avisa que estratégia nacional do partido está acima de vontades individuais.

A direção nacional do PT (Partido dos Trabalhadores) está aumentando a pressão de bastidores para que a deputada federal Adriana Accorsi abra mão de sua candidatura à reeleição na Câmara dos Deputados e assuma a disputa ao Governo de Goiás. No entanto, a manobra desenha um cenário em que o partido aceita "sacrificar" a cadeira quase garantida de Adriana em Brasília para construir um palanque forte no estado que ajude o projeto prioritário da legenda: a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Para quem não acompanha o dia a dia da política, a matemática eleitoral é simples: Adriana Accorsi é o nome mais popular do PT em Goiás e tem chances muito altas de vencer novamente a eleição para deputada. No entanto, o PT nacional enxerga que, se ela disputar o governo estadual — mesmo enfrentando uma disputa muito mais difícil para ser eleita governadora —, a sua força política puxaria votos para Lula em um estado historicamente dominado pelo eleitorado conservador e pelo agronegócio.
A estratégia ficou clara após declarações de Mônica Valente, representante da direção nacional do PT e integrante do Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE). Em entrevista ao jornal O Popular, confirmada em reunião presencial com o diretório goiano, a coordenadora da pré-campanha de Lula reforçou a exigência de uma candidatura competitiva ao Palácio das Esmeraldas.
Ao ser questionada se o partido aceitaria lançar um nome menos conhecido em Goiás para poupar Adriana, Mônica minimizou o desejo pessoal da deputada. Ela comparou o caso goiano com o do atual ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que em eleições anteriores não planejava disputar o Governo de São Paulo, mas foi convencido por Lula.
"O xadrez eleitoral não é estado por estado e depois a gente soma tudo. O xadrez eleitoral é uma estratégia eleitoral nacional", explicou Mônica, definindo que o desenho nacional do partido sempre vai prevalecer sobre as "vontades individuais".
Do outro lado, Adriana Accorsi tenta segurar a pressão de Brasília e manter seus planos originais. A deputada e presidente regional da sigla reiterou que sua preferência real é continuar na Câmara e já marcou o evento de lançamento de sua pré-candidatura à reeleição para o dia 2 de junho.
Para tentar blindar seu nome da exigência nacional, Adriana aponta que o diretório estadual afunilou as opções de chapa majoritária para outras duas alternativas: o ex-deputado estadual Luis César Bueno e o produtor rural Flávio Faedo, morador de Rio Verde e visto como uma ponte importante para dialogar com o setor do agronegócio.
A queda de braço tem data para acabar. De acordo com a deputada, o PT goiano tem até a próxima quarta-feira (20) para bater o martelo. Embora Adriana afirme que "está trabalhando para outro nome", ela mesma admitiu que, diante das ordens que vêm de Brasília, "não tem nada descartado".

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