Pai do Simve e do soldado de 3ª classe quer convencer que vai mudar a segurança em Goiás
Após quatro mandatos marcados por contratos temporários derrubados pelo STF, candidato tucano tenta reconstruir imagem

Criador de modelos polêmicos como o soldado de 3ª classe e responsável por recorrer a contratações temporárias na segurança pública, o ex-governador e candidato Marconi Perillo (PSDB) busca se apresentar ao eleitorado como a solução para revolucionar o setor em Goiás. De olho no Palácio das Esmeraldas, o tucano colocou a segurança no centro da campanha, prometendo ampliação de efetivo e valorização profissional. O discurso, contudo, esbarra no histórico dos seus quase 16 anos à frente do Executivo estadual.
Durante suas gestões, a segurança acumulou medidas emergenciais que acabaram travadas na Justiça. Em 2012, Marconi criou o Serviço de Interesse Militar Voluntário Estadual (Simve), que colocou reservistas das Forças Armadas nas ruas. Três anos depois, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou o modelo inconstitucional por unanimidade, resultando na demissão em massa de cerca de 2,5 mil temporários.
A prática de vínculos precários também se estendeu ao sistema prisional com os Vigilantes Penitenciários Temporários (VPTs), alvos constantes de questionamentos do Ministério Público. Outro desgaste marcante foi a instituição do soldado de 3ª classe na PM, subcategoria que pagava salário reduzido a praças submetidos às mesmas rotinas e riscos dos demais agentes — medida que acabou extinta posteriormente.
O retrospecto cria um contraste direto com a atual estratégia eleitoral do candidato. Ao prometer reestruturação para a área, Marconi enfrenta a comparação com os números recentes de Goiás. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 apontam o estado em posição de destaque na redução de índices criminais após reestruturações e investimentos efetuados nos últimos anos.
Ao tentar transformar a segurança em vitrine para o retorno ao governo, o candidato tucano traz o próprio passado para a mesa de debate. Após ter comandado o estado por quatro oportunidades sem consolidar essas carreiras, a pergunta que fica no ar entre os eleitores é por que as soluções propostas hoje não saíram do papel quando ele esteve no poder.

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