Outra procuradora goiana reclama do salário de mais de R$ 60 mil; "Estamos humilhados"
A procuradora fez o relato para debater na sessão o fato de a categoria, supostamente, não estar recebendo a “similaridade” dos salários em relação a outras categorias do Judiciário.

Declaração da Procuradora do Ministério Público de Goiás (MPGO), Carla Fleury de Souza, que ganha quase R$ 40 mil por mês e causou espanto e indignação ao dizer que situação salarial dos membros da instituição é uma "vergonha", que seu dinheiro é destinado apenas a suas "vaidades" e sente “dó” dos promotores em início de carreira por receberem, em média, R$ 30 mil por mês, foi reafirmada pela “colega” , Yara Alves Ferreira e Silva na mesma sessão, nessa segunda-feira (29).
Yara, que usou a expressão “de pires na mão”, que tem a mesma conotação de “pedir esmola”, teve rendimentos que superaram os R$ 60 mil no mês de maio. Líquido, Yara Alves recebeu R$ 41,8 mil. Em dezembro de 2022, com o adicional de férias, a procuradora recebeu quase R$ 70 mil.
A procuradora fez o relato para debater na sessão o fato de a categoria, supostamente, não estar recebendo a “similaridade” dos salários em relação a outras categorias do Judiciário.
Choca o discurso de “coitadismo”, o apontamento de que estão sendo “humilhados” justamente de uma categoria que tem salários completamente fora da realidade da maioria da população brasileira. A posição em que as duas procuradoras colocam a instituição é de assustar ao mesmo tempo, talvez sem perceber, que colocam para fora o alto padrão de vida em que vivem, já que salários que batem a casa dos R$ 60 mil/ mês não dá para viver.
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A fala de Yara e Carla deixam clara a diferença social no Brasil e chega a ser um “deboche” para milhões de brasileiros que sustentam suas famílias com um salário mínimo, muitas vezes menos que isso, e não se colocam nesse papel de “tadinhos de nós”, “somos humilhados”, “sofridos”, mas que acordam todos os dias para trabalhar e lutar para garantir o prato de comida em casa.
O fato não é julgar o direito ao benefício da carreira, direito é direito e está correto exigirem. Não é isso que assusta. Assusta discursos como esses num país como o Brasil, de mulheres da Justiça que ganham cifras como essas se sentirem humilhadas ou como se estivesses pedindo esmolas.
"Estamos hoje em uma situação de pires na mão. Humilhados, agachados diante de todos os servidores das carreiras jurídicas no Estado. Qual a razão desse tratamento para com os pleitos do MP que representa todos nós, representa os sofridos aposentados, as pensionistas, quase todos doentes, cuidando de família ainda, contribuindo com a casa dos filhos, comprando remédios, dependendo de cuidadores. Os pleitos associativos são todos legítimos. Qual a razão para esse embate, esse tiro de guerra. Vimos os servidores em greve, ingressando na terceira semana. Foi feita proposta verbal e nenhuma escrita para categoria sofrida. Se a situação é ruim para todos nós, imagina para eles", disse Yara.

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