Operação explode em Rio Verde e mira suposta fraude milionária em licitações com empresa investigada
o principal investigado é o empresário Mário César de Paulo, sócio-administrador da César Sistemas Construtivos.

O Ministério Público de Goiás (MPGO) deflagrou, na manhã desta terça-feira (11), a Operação Simulatio para desarticular uma suposta organização criminosa especializada em fraudar licitações e contratações públicas. Um dos principais alvos da ofensiva foi a Prefeitura de Rio Verde, onde equipes cumpriram mandados de busca e apreensão. Ao todo, a Justiça autorizou três prisões preventivas, quatro afastamentos de servidores públicos e 44 mandados de busca em Goiás e São Paulo. Até o momento, pelo menos um investigado já foi preso.
Segundo o MP, o grupo teria causado um prejuízo superior a R$ 14 milhões aos cofres públicos por meio de atas de adesão fraudulentas, mecanismo conhecido como "pegar carona" em licitações de outros municípios. A investigação aponta que empresários montavam orçamentos fictícios, com valores acima dos praticados no mercado, favorecendo sempre a mesma empresa vencedora.
A operação mobilizou 40 promotores de Justiça, com apoio da Polícia Militar de Goiás (PM-GO), do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Polícia Civil paulista. Os mandados foram cumpridos em Goiânia, Aparecida de Goiânia, Senador Canedo, Rio Verde, Itumbiara, Itaberaí, Goianira, Inhumas, Goianésia, Abadia de Goiás, Rio Quente, Uruaçu, Luziânia, Alexânia, além das cidades de São Paulo e Ribeirão Preto.
De acordo com o Ministério Público, o principal investigado é o empresário Mário César de Paulo, sócio-administrador da César Sistemas Construtivos. A suspeita é de que um grupo formado por cinco empresários atuava como um "consórcio ilícito", simulando concorrência em processos licitatórios para garantir que a empresa sempre fosse a vencedora.
Ainda durante as buscas, foram apreendidos celulares, computadores, contratos e grandes quantias em dinheiro. Em um dos endereços, os investigadores encontraram R$ 40 mil em espécie. Em outro, foram localizados R$ 26 mil e cerca de 2 mil euros.
Segundo o MPGO, entre 2015 e 2025, a César Sistemas Construtivos firmou contratos que somam aproximadamente R$ 273 milhões com prefeituras e órgãos públicos. No entanto, as obras efetivamente executadas alcançariam cerca de R$ 88 milhões, diferença que sustenta a suspeita de enriquecimento ilícito e dano ao patrimônio público.
As investigações apontam que o grupo teria atuado em licitações nos municípios de Rio Verde, Itumbiara, Itaberaí, Goianira e Abadia de Goiás, além de contratos por adesão em Uruaçu, Inhumas, Luziânia, Goianésia e Rio Quente.
Entre os contratos analisados está a compra de salas modulares pela Prefeitura de Itumbiara, em 2022. O município contratou estruturas por quase R$ 8 milhões, mas a área de inteligência do MP identificou um suposto sobrepreço de aproximadamente R$ 3 milhões.
Outro contrato investigado envolve a Goinfra, que contratou a mesma empresa entre 2022 e 2025 para fornecer módulos utilizados pela Polícia Rodoviária Estadual durante operações nas festas religiosas de Trindade e Muquém. O valor dos contratos foi de R$ 721 mil.
Leia mais
Esquema de R$ 88 milhões em salas de aula modulares é alvo de operação do MPGO
Operação que mira grupo acusado de fraudar licitações para escolas prende três e afasta servidores
Secretário de Educação vira alvo do MP e explica compra de empresa investigada por fraudes; veja
Rio Verde no centro da operação
Em Rio Verde, a operação teve como alvo o Paço Municipal. Segundo informações apresentadas pela própria prefeitura, entre 2018 e 2025 foram firmados 25 contratos com a empresa investigada para montagem e manutenção de salas modulares destinadas às secretarias de Educação e Assistência Social.
Após uma coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira, o procurador do município afirmou que a Prefeitura de Rio Verde não é investigada, mas sim a empresa contratada. Segundo ele, todos os processos ocorreram por meio de pregões eletrônicos e permanecem disponíveis para consulta pública.
A Prefeitura de Itumbiara informou que as dez salas modulares contratadas em 2022 foram entregues, estão em funcionamento e que o procedimento ocorreu dentro da legalidade. Já a Prefeitura de Rio Quente afirmou que os documentos apreendidos dizem respeito a um contrato de 2025 para instalação de quatro salas modulares, totalmente executado e encerrado, ressaltando que nenhum servidor municipal é investigado.
A Goinfra também informou que a investigação não trata de contratos de obras públicas da autarquia e destacou que apenas aderiu a uma ata de registro de preços de outro órgão, não sendo responsável pela licitação original. O órgão afirmou ainda manter compromisso com a legalidade, transparência e correta aplicação dos recursos públicos.
A reportagem não havia obtido manifestação da César Sistemas Construtivos até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para posicionamento.

Única senadora eleita por Goiás, Lúcia Vânia declara apoio à Gracinha Caiado; assista
Ex-senadora ressalta trajetória de Gracinha e afirma que a candidatura representa uma oportunidade para o Estado e para os goianos

Kitão quer levar debate sobre cannabis para Alego e uso da fibra na medicina
Candidato a deputado estadual, vereador quer usar experiência acumulada em Goiânia para levar discussão à Assembleia e ampliar políticas relacionadas à cannabis medicinal em Goiás











