Nove dias antes de ser preso, João Paulo gravou vídeo para “acusar” uso político da PF contra Silvinei Vasques
No vídeo postado em sua página do Instagram, João Paulo analisou a prisão do ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal, mostrou uma fala de Alexandre de Moraes e concluiu perseguição contra o governo Bolsonaro

O suplente de vereador em Goiânia, João Paulo Cavalcante, preso pela Polícia Federal (PF) durante a 14ª fase da Operação Lesa Pátria, deflagrada na manhã de quinta-feira (17), em nível nacional, uma semana antes, ou seja, no último dia 9, gravou vídeo para “denunciar” a prisão do ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques.
A prisão preventiva de Vasques foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes no inquérito que apura as operações da Polícia Rodoviária Federal (PRF) concentradas em rodovias do Nordeste no dia do segundo turno das eleições em 2022, onde Lula (PT) era favorito. As investigações têm a intenção de averiguar se essas operações tinham o intuito de impedir que esses eleitores chegassem às urnas.
No vídeo, João Paulo apresenta uma fala do Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, onde ele declara que as intervenções da PRF não impediram os eleitores de chegarem às urnas, que apenas causou atraso. Em seguida, o goiano acusa uso político da Polícia Federal contra “membros do governo anterior”.
Nove dias depois, a PF deflagra mais uma fase da Lesa Pátria, João Paulo é um dos alvos e termina preso por suposto envolvimento nos atentados antidemocráticos na praça dos Três Poderes em Brasília, onde milhares de bolsonaristas invadiram e destruíram as sedes do Congresso, STF e Palácio do Planalto.
Apesar da prisão, a Polícia Federal ainda não divulgou qual seria a participação do goiano para que fosse alvo de prisão.
A defesa de João Paulo respondeu ao G5News que “pediu acesso aos autos, pois são físicos sigilosos, e tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF)”. O advogado ressaltou ainda que não sabe o teor da fundamentação para a decretação da sua prisão preventiva, “mas, desde já, reitera que manejaremos todos os instrumentos legais para restabelecer a sua liberdade”.
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Entenda o caso
João Paulo Cavalcante foi preso pela Polícia Federal (PF) na Operação Lesa Pátria, que investiga os envolvidos nos atos extremistas de 8 de janeiro, em Brasília. O político é um dos líderes bolsonaristas em Goiás, foi candidato a deputado estadual pelo antigo PSL, em 2018, e a vereador pelo DC em 2020.
O investigado aparece em vários vídeos gravados por ele mesmo na Esplanada dos Ministérios, durante a invasão dos Três Poderes.
“Galera, hoje, dia 8 de janeiro de 2023, o Brasil faz história. Mais uma vez, milhões de brasileiros indignados com o sistema, demonstrando que a nossa República Federativa não vai cair nas mãos de criminosos”, diz na filmagem.
Segundo informações obtidas com exclusividade pelo G5News, o político foi preso na quinta-feira (17), mesmo dia em que a cantora gospel Fernanda Oliver, conhecida por fazer shows em acampamentos bolsonaristas instalados na porta de quarteis em cidades goianas, também foi alvo.
Na data em questão, a Polícia Federal cumpriu dez mandados de prisão em Goiás, outros quatro estados e no Distrito Federal.

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