Nikolas Ferreira vota com base de Lula e tenta se explicar
Apesar da falha do deputado do PL, a MP do IOF foi retirada de pauta no limite e caducou, numa derrota patrocinada pelo Centrão e pela Oposição

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-SP) se envolveu em um momento inusitado no Plenário da Câmara dos Deputados: ele votou contra a derrubada da Medida Provisória (MP) do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), contrariando a orientação do seu partido. Em seguida, ele alegou publicamente que cometeu um erro enquanto estava em casa cuidando da filha recém-nascida.
A MP, considerada crucial para a arrecadação do governo, acabou sendo retirada de pauta e caducou (perdeu a validade) na noite de quarta-feira (8), representando uma grande derrota para o Palácio do Planalto.
O Partido Liberal (PL), presidido por Valdemar Costa Neto, orientou toda a bancada a votar pela retirada da MP 1303/2025 de pauta, uma estratégia que garantiria que o texto perdesse a validade às 23h59 daquela quarta-feira.
Apesar da orientação, Nikolas Ferreira votou contra a retirada. Pelo Twitter, o deputado se explicou e citou o contexto familiar:
"Fiz campanha contra o dia todo a MP 1303 e cuidando da minha filha recém-nascida aqui, me confundi e votei errado", expôs. Ele celebrou o resultado final: "Mas, graças a Deus foi retirado de pauta. Chega de impostos! Vence o Brasil."
Além de Nikolas, outro deputado do PL, Antonio Carlos Rodrigues (PL-SP), também votou contra a orientação partidária.
A Derrota Patrocinada Pelo Centrão
A MP, enviada ao Congresso há 120 dias, tinha como objetivo principal compensar a perda de arrecadação decorrente da derrubada de um decreto que aumentou a alíquota do IOF. O governo tentou até o último momento evitar a caducidade do texto.
O relator, deputado Carlos Zarattini (PT-SP), chegou a "desidratar" o conteúdo da MP, retirando algumas tributações polêmicas, na tentativa de facilitar a aprovação. Mesmo com a aprovação apertada na comissão mista (13 votos a 12), o texto não resistiu ao plenário.
Na quarta-feira, os partidos do Centrão fecharam questão contra a medida. União Brasil, PP, PSD e Republicanos orientaram suas bancadas a votar contra a MP do IOF. A ampla mobilização contra a medida sinalizou que ela seria derrubada no plenário, o que forçou o governo a aceitar a retirada de pauta como "o mal menor", culminando na sua caducidade.

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