MTST exige “taxação dos ‘super-ricos’ já” e ocupa prédio do Itaú; veja vídeo
O setor bancário é um dos maiores beneficiários no Brasil em termos de dividendos, pagamentos que atualmente são isentos de IR aos acionistas, independentemente do valor

Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e a Frente Povo Sem Medo organizaram um protesto na Avenida Faria Lima, um dos principais centros financeiros de São Paulo, nesta quinta-feira (03). A ação culminou na ocupação do térreo do Itaú BBA, localizado no número 3500, onde os manifestantes exigiram mudanças significativas na política tributária.
O protesto teve início no final da manhã e rapidamente ganhou força nas redes sociais, onde o MTST enfatizou a necessidade de taxar os “super-ricos” como uma medida crucial para combater a desigualdade no Brasil. A manifestação ocorre em um momento crítico, com o governo discutindo a aprovação de um projeto de lei que isentaria do Imposto de Renda (IR) aqueles que ganham até R$ 5.000 mensais. Para equilibrar a perda estimada de R$ 36 bilhões na arrecadação fiscal, a proposta do Ministério da Fazenda inclui a criação de uma alíquota mínima de 10% para quem recebe a partir de R$ 50.000.
O MTST, além de demandar a taxação dos super-ricos, também exige reforma tributária que seja justa, ou seja, que taxasse quem realmente pode pagar mais e aliviasse a carga sobre os mais necessitados. Durante o protesto, várias faixas foram exibidas, destacando as mensagens:
“Taxação de bilionários, bancos e bets” e “O povo não vai pagar a conta. Pela taxação dos super ricos”.
A Realidade do Setor Bancário
O setor bancário é um dos maiores beneficiários no Brasil em termos de dividendos, pagamentos que atualmente são isentos de IR aos acionistas, independentemente do valor envolvido. Em janeiro do ano passado, o Itaú concluiu a compra do edifício na Faria Lima onde está instalada sua operação de atacado, por R$ 1,5 bilhão — a maior transação imobiliária já registrada no país. No ano financeiro de 2024, o Itaú reportou um lucro líquido de R$ 41,3 bilhões e anunciou a distribuição de R$ 15 bilhões em dividendos e juros sobre o capital próprio (JCP) para seus acionistas.
A ocupação do Itaú BBA não foi apenas uma demonstração de descontentamento, mas uma denúncia explícita contra as desigualdades fiscais no Brasil. Como ressaltou o MTST em seu perfil nas redes sociais:
“A ocupação não é somente simbólica, é uma denúncia clara. Os donos do Itaú, que compraram o prédio por R$ 1,5 bilhão, pagam menos impostos que a maioria esmagadora do nosso povo, que luta para pagar aluguel e comer”.
Além da controversa proposta de isenção de IR, o governo do presidente Lula também busca alternativas para derrubar um decreto que aumentou as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que têm gerado insatisfações no Congresso Nacional. A pressão da sociedade civil, representada por ações como a do MTST, pode ser um fator determinante nas discussões em andamento.

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