Michelle Bolsonaro defende ‘submissão saudável’ da esposa ao marido
Em tom religioso, a ex-primeira-dama afirmou que a submissão feminina tem base bíblica e deve ser compreendida como parte do papel da mulher dentro do casamento

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) defendeu o que chamou de “submissão saudável” das mulheres em relação aos maridos durante um evento do PL Mulher, braço feminino do Partido Liberal, realizado no último sábado (8), em Londrina (PR).
Em tom religioso, Michelle afirmou que a submissão feminina tem base bíblica e deve ser compreendida como parte do papel da mulher dentro do casamento.
“A Bíblia fala da submissão da esposa ao marido, mas é uma submissão saudável, porque existe um contexto na palavra de Deus sobre a mulher ser submissa ao seu esposo”, disse, diante de uma plateia majoritariamente feminina.
A ex-primeira-dama, que preside o PL Mulher, incentivou as mulheres a se envolverem mais na política, desde que, segundo ela, mantenham seus valores cristãos e familiares.
“Uma mulher ajudadora, auxiliadora do seu esposo. Entendo o meu chamado como mulher. Sou preciosa, sou amada do Pai, sei a minha missão”, afirmou.
Críticas a feministas e à esquerda
Durante o discurso, Michelle Bolsonaro fez críticas diretas a movimentos feministas e a parlamentares de esquerda. Ela acusou feministas e deputadas do PT e do PSOL de “demonizar a figura masculina”.
“Nós não estamos aqui para demonizar a figura masculina. Quem faz isso com muita propriedade são as feministas, são as parlamentares de esquerda, são as parlamentares do PSOL, do PT. Nós não somos assim. Somos diferenciadas. Fazemos política com feminilidade”, disse.
A ex-primeira-dama também atacou defensoras da legalização do aborto, tema constantemente explorado por lideranças conservadoras.
“Hoje, no Brasil, muitas mulheres são eleitas para estar em esferas de decisão e de poder para defender o aborto, para defender a morte de bebês inocentes no ventre de suas mães”, afirmou.
Defesa do marido e críticas ao Judiciário
Michelle voltou a defender o marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e três meses de prisão por envolvimento na chamada trama golpista. O ex-presidente cumpre prisão domiciliar, mas a expectativa é que seja transferido para o regime fechado ainda neste ano.
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Em seu discurso, Michelle acusou o STF de promover um golpe contra a democracia e defendeu a candidatura de Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2026 — apesar de o ex-presidente estar inelegível.
“A única opção para presidente da República da direita chama-se Jair Messias Bolsonaro. Se não acontecer, não existe democracia no Brasil. Se não acontecer, esse é o verdadeiro golpe que o Judiciário está dando no povo de bem, no povo brasileiro”, declarou.
Estratégia política
A aparição em Londrina faz parte de uma série de encontros promovidos pelo PL Mulher em diferentes estados, com o objetivo de fortalecer a base eleitoral conservadora e manter viva a imagem do ex-presidente junto ao público feminino.
Desde o fim do mandato de Jair Bolsonaro, Michelle vem sendo apontada por aliados como uma possível candidata em 2026 — hipótese que ela evita confirmar, embora mantenha agenda pública intensa e discurso alinhado à direita cristã.
“Eu sei o meu propósito na terra”, disse, encerrando o evento sob aplausos.

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