MDB entrega Luan Alves ao Conselho de Ética após suposto envolvimento em "esquema de propina"
Luan Alves foi alvo de busca e apreensão em investigação sobre suposto esquema de extorsão para liberação de alvarás de eventos em Goiânia; partido diz que vai analisar a gravidade do caso antes de decidir medidas

O MDB de Goiás decidiu encaminhar ao Conselho de Ética do partido o caso do vereador Luan Alves, que foi alvo de mandado de busca e apreensão durante uma operação da Polícia Civil que investiga um suposto esquema de cobrança de propina para emissão e renovação de alvarás de eventos culturais em Goiânia.
Segundo a direção estadual da legenda, o caso será submetido a uma análise sobre a gravidade dos fatos investigados. Somente após essa avaliação o partido decidirá quais medidas poderão ser adotadas em relação ao parlamentar.
A ação policial foi realizada na quarta-feira (10) pela Delegacia Estadual de Combate à Corrupção (Deccor), dentro da Operação Taxa Criminosa. Além de Luan Alves, outros ex-servidores municipais e o ex-vereador Paulo Henrique da Farmácia, atual presidente da Goiás Turismo, também foram alvos de medidas judiciais.
Atualmente vereador e presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara de Goiânia, Luan comandou a Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) durante a gestão do ex-prefeito Rogério Cruz.
De acordo com a investigação, as irregularidades teriam ocorrido entre 2017 e 2022 e envolveriam a liberação de autorizações temporárias para atividades de entretenimento, como parques de diversão, carretas recreativas e estruturas de alimentação montadas para eventos.
A Polícia Civil afirma que empresários do setor eram pressionados a fazer pagamentos indevidos para conseguir a emissão ou renovação dos documentos necessários para funcionamento dos empreendimentos.
Segundo o delegado Danilo Victor Souza, a cobrança ocorria após a realização dos eventos e era calculada com base no lucro obtido pelas empresas.
“Você podia trabalhar, mas para ter o alvará teria que pagar uma propina. Geralmente esse pagamento ocorria depois da apuração do que a empresa conseguiu lucrar com o evento. Ela tinha que pagar um rateio para agentes públicos envolvidos com o processo de liberação desse evento”, afirmou o delegado.
As investigações começaram após a denúncia de um empresário que relatou ter sido obrigado a realizar pagamentos em dinheiro, PIX, depósitos, transferências bancárias e até prestar serviços gratuitos para conseguir as autorizações. Segundo o denunciante, as cobranças constantes provocaram prejuízos superiores a R$ 400 mil e levaram ao encerramento de suas atividades em Goiânia em 2021.
Além dos mandados de busca e apreensão, a Justiça autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de outros cinco investigados. Os crimes apurados incluem corrupção ativa, concussão e associação criminosa.
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Conforme a Polícia Civil, Luan Alves não aparece como responsável direto pela solicitação das supostas vantagens indevidas, mas é citado em situações relacionadas aos processos de liberação e documentação dos empreendimentos investigados.
Em nota, o vereador afirmou ter sido surpreendido pela operação e disse que está colaborando com as autoridades. “Durante o período em que exerci minhas funções na administração municipal, todas as minhas decisões foram tomadas dentro dos limites da legislação vigente”, declarou.
Luan também informou que ainda não teve acesso ao conteúdo completo da investigação, afirmou desconhecer os detalhes do procedimento e sustentou que nada de irregular foi encontrado durante as buscas realizadas em sua residência.
Até a publicação desta reportagem, Paulo Henrique da Farmácia não havia se manifestado sobre o caso. Enquanto isso, a situação de Luan Alves passa a ser analisada internamente pelo MDB, que poderá decidir eventuais medidas disciplinares após a avaliação do Conselho de Ética.

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