Marconi quer debater segurança, mas sua gestão colocou Goiás no topo dos estados mais violentos
Goiás chegou a registrar 46,18 homicídios por 100 mil habitantes durante gestão tucana; em 2024, índice caiu para 18,42, enquanto roubos de veículos recuaram 95% desde 2018

O ex-governador e candidato ao Governo de Goiás Marconi Perillo (PSDB) decidiu colocar a segurança pública no centro dos ataques à atual gestão estadual, comandada por Ronaldo Caiado (PSD), tendo Daniel Vilela (MDB) como governador e candidato à reeleição. A estratégia, porém, também coloca sob os holofotes os indicadores registrados durante os governos do próprio tucano, período em que Goiás chegou a enfrentar taxas de homicídio bem superiores às atuais.
Dados do Atlas da Violência apontam que o Estado alcançou, em 2024, a menor taxa de homicídios desde 2000, com 18,42 mortes para cada 100 mil habitantes.
O cenário era bastante diferente pouco mais de uma década antes. Entre 2012 e 2016, período que abrange os dois últimos mandatos de Marconi, Goiás registrou os maiores índices da série mencionada. O pico ocorreu em 2013, quando foram contabilizados 46,18 homicídios por 100 mil habitantes.
Na comparação com 2024, a taxa de 2013 era 150,7% maior.
A segurança também ficou marcada naquele período por crimes de grande repercussão. Entre 2011 e 2014, Tiago Henrique Gomes da Rocha praticou uma sequência de assassinatos em Goiânia e acabou acusado de quase 40 mortes. O caso ganhou repercussão nacional e internacional até sua identificação e prisão.
Ainda em 2014, seis pessoas foram assassinadas no Bairro Cardoso 2, em Aparecida de Goiânia, em um ataque cometido por homens encapuzados. Na época, o episódio foi investigado como possivelmente relacionado ao tráfico de drogas e entrou para a lista de crimes que marcaram aquele período.
Marconi deixou o Governo de Goiás em 2018 para disputar uma vaga no Senado. Naquele ano, José Eliton, que havia assumido o Palácio das Esmeraldas após a saída do tucano, não conseguiu vencer a eleição para governador. Marconi também foi derrotado na disputa pelo Senado em 2018 e voltou a perder uma eleição para o cargo em 2022.
Os indicadores de crimes contra o patrimônio também mudaram desde então. Segundo dados apresentados pelo Observatório de Segurança Pública, Goiás registrou 10.105 roubos de veículos em 2018, último ano da gestão ligada a Marconi, contra 508 ocorrências em 2025 — redução de 95%.
No mesmo intervalo, os dados apontam queda de 97% nos roubos de cargas, 91% nos roubos em estabelecimentos comerciais, 92% nos roubos a transeuntes e 83% nos roubos a residências.
A avaliação popular da área também aparece favorável à atual administração. Pesquisa Genial/Quaest divulgada em julho apontou aprovação de 70% para a segurança pública na gestão de Daniel Vilela.
É diante desse histórico que Marconi passou, nos últimos dias, a publicar conteúdos nas redes sociais criticando a segurança pública do atual governo. Ao escolher o tema para confrontar seus adversários, o tucano abre também espaço para que os números e episódios registrados durante suas próprias administrações sejam recuperados no debate eleitoral.
Agora, novamente candidato ao Palácio das Esmeraldas, Marconi tenta reconquistar o eleitorado e voltar ao comando do Estado. A segurança pública promete ser um dos campos dessa disputa — e, ao entrar nesse terreno, tanto os resultados atuais quanto o histórico dos governos anteriores passam a fazer parte da discussão.

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