Marconi esquece tragédia do Parque Oeste Industrial na sua gestão ao atacar duplicação da GO-330
Em 2005, durante o governo do tucano, reintegração de posse do Parque Oeste Industrial retirou cerca de 4 mil famílias, deixou dois mortos, dezenas de feridos e mais de 800 pessoas detidas

A tentativa do ex-governador Marconi Perillo (PSDB) de se apresentar como defensor de uma proprietária rural desapropriada para as obras da GO-330, em Catalão, esbarra em uma lembrança que ainda permanece viva na memória de milhares de goianos: a tragédia do Parque Oeste Industrial.
Ao gravar um vídeo para demonstrar solidariedade à idosa que viralizou nas redes sociais, Marconi ignora que a desapropriação realizada para a duplicação da rodovia ocorreu dentro dos parâmetros legais, com avaliação técnica, decisão judicial e indenização depositada em juízo. Trata-se de um procedimento previsto em lei para viabilizar obras de interesse público.
O que torna a manifestação do ex-governador contraditória é justamente seu histórico. Em fevereiro de 2005, durante sua gestão, Goiás assistiu a uma das mais traumáticas reintegrações de posse de sua história. A retirada de cerca de 4 mil famílias do Parque Oeste Industrial terminou com dois mortos, dezenas de feridos e centenas de pessoas presas.
A operação mobilizou centenas de policiais e ficou marcada pelas cenas de confronto, uso de gás lacrimogêneo, balas de borracha, spray de pimenta e pela retirada forçada de famílias inteiras, incluindo mulheres, crianças e idosos. As imagens correram o país e transformaram o Parque Oeste em um símbolo dos conflitos fundiários e da violência estatal.
Mais de duas décadas depois, enquanto tenta transformar um caso isolado de Catalão em discurso político, Marconi parece esquecer que seu nome continua diretamente associado ao episódio que marcou uma geração de goianos. Diferentemente da situação atual, em que há indenização judicialmente garantida e uma obra pública de interesse coletivo, o Parque Oeste deixou um rastro de dor que permanece na memória de quem viveu aquela madrugada.

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