Marconi convoca reunião "lotada de ex" para debater candidatura ao governo
Ao apostar em uma candidatura apoiada por figuras sem mandato e sem relevância eleitoral, Marconi escancara não apenas a fragilidade de seu projeto pessoal, mas também o desgaste irreversível

O ex-governador Marconi Perillo (PSDB) tenta, mais uma vez, costurar uma candidatura ao governo de Goiás. Desta vez, aposta na união de ex-prefeitos, ex-vice-prefeitos e ex-vereadores, todos sem mandato, para discutir, em 27 de setembro, a viabilidade de um novo projeto político. O encontro será promovido pela Associação Goiana de Ex-prefeitos (Agexp). O convite, divulgado por Perillo, deixa claro que o tucano busca entre os derrotados das últimas eleições o fôlego político que lhe falta.
Após duas derrotas consecutivas para o Senado, em 2018 e 2022, Marconi parece insistir em ignorar o recado das urnas. Mesmo rejeitado pelos eleitores em disputas majoritárias, o ex-governador acredita que poderá se reposicionar no cenário político estadual com o apoio de lideranças que também fracassaram em seus redutos eleitorais.
A estratégia expõe a leitura distorcida que Marconi tem feito da conjuntura política. Ao invés de construir pontes com a sociedade ou com lideranças em ascensão, tenta se cercar de figuras que não conseguiram renovar mandatos nem manter relevância local. É uma aposta na nostalgia de um tempo político que já não existe.
Sob o comando nacional de Perillo, o PSDB entrou em sua fase mais crítica desde a fundação. O partido que já ocupou a Presidência da República e governou estados como São Paulo e Minas Gerais vê sua bancada minguar, perde quadros históricos e hoje corre risco de não ultrapassar a cláusula de barreira. Governadores como Eduardo Leite (RS) e Raquel Lyra (PE) deixaram a sigla, assim como senadores e deputados federais. A debandada reflete o esgotamento do modelo político liderado por Marconi.
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Ao apostar em uma candidatura apoiada por figuras sem mandato e sem relevância eleitoral, Marconi escancara não apenas a fragilidade de seu projeto pessoal, mas também o desgaste irreversível de uma liderança que já ocupou o centro da política goiana por duas décadas. A derrocada tucana nas urnas é resultado direto de uma sucessão de escândalos de corrupção e do esgotamento de um modelo político que já não mobiliza a confiança do eleitor.

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