Márcio Corrêa reafirma que Anápolis estava “bancando faculdade de medicina para marmanjo rico”; veja vídeo
Dos mais de 100 beneficiários do GraduAção, apenas 8 eram de baixa renda. Prefeito defende que eles consigam concluir o curso

A Prefeitura de Anápolis encerrou uma auditoria que expôs distorções no programa GraduAção, criado para conceder bolsas de estudo no curso de medicina, e passou a defender a reformulação do modelo após constatar que a maioria dos beneficiários não se enquadrava nos critérios sociais previstos em edital.
Em entrevista à Rádio São Francisco, o prefeito Márcio Corrêa (PL) afirmou que o município acabou bancando faculdade de medicina para estudantes com alto poder aquisitivo, em detrimento de políticas consideradas prioritárias, como a ampliação de vagas na educação infantil.
Segundo o gestor, levantamento feito em conjunto com o Ministério Público de Goiás (MPGO) apontou que, dos cerca de 110 alunos contemplados pelo GraduAção, apenas oito demonstraram efetiva necessidade financeira e cumprimento das exigências do programa. O benefício havia sido suspenso em agosto, após suspeitas de irregularidades, quando foi aberto um novo edital exigindo recadastramento obrigatório dos bolsistas.
Na ocasião, os estudantes tiveram a oportunidade de comprovar renda e desempenho acadêmico para manter o auxílio. A partir daí, a fiscalização passou a ser conduzida pelo MPGO, retirando da Prefeitura a responsabilidade direta pela verificação dos critérios.
“Teve aluno que tomou bomba três anos seguidos e estava sendo mantido pelo programa, fora das regras do edital”, afirmou Márcio. Para ele, a continuidade do GraduAção só se justifica em relação aos poucos casos que atendem aos requisitos. “Esses oito eu acho que é justo. Criou-se uma expectativa para esses oito”, disse.
Como alternativa, o prefeito defendeu que as próprias instituições de ensino superior assumam o custeio desses estudantes. A proposta é que as faculdades absorvam os bolsistas em sistemas de financiamento próprio, como contrapartida pelo uso da estrutura pública de saúde do município, onde ocorrem aulas práticas e programas de residência.
“Chamei a faculdade e falei: ‘vocês usam nossas unidades, têm residência, têm disciplinas dentro das nossas unidades’. Pedi para que paguem por esses alunos”, declarou. Segundo ele, já foi encaminhado ofício solicitando a matrícula e a manutenção dos estudantes pelas instituições.
O prefeito também afirmou que as faculdades são vítimas do modelo adotado em gestões anteriores e citou dívidas deixadas pela administração de Roberto Naves (Republicanos). Em uma análise preliminar, o débito com apenas uma das três instituições conveniadas chegaria a R$ 12 milhões.
Ao final, Márcio Corrêa reforçou que a prioridade da atual gestão é a educação básica.
“A gente estava deixando de dar vaga para pai de família trabalhador, que ganha um salário mínimo e tem três filhos em casa, com dificuldade para conseguir creche — que é obrigação nossa — e bancando faculdade de medicina para marmanjo rico”, afirmou.
A Prefeitura não informou prazo para a conclusão das negociações com as instituições de ensino nem se o programa GraduAção será retomado em novo formato.

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