Márcio Corrêa participa de audiência no MP, critica Equatorial e denuncia "jogo de empurra"
O prefeito confrontou a Equatorial pela primeira vez, nessa terça-feira (29), desde a tragédia que matou João Victor Gontijo Oliveira, de 10 anos, vítima de um choque elétrico na Vila Jussara

Prefeitura de Anápolis, representada pelo prefeito Márcio Corrêa (PL), e a Equatorial se enfrentaram pela primeira vez, nessa terça-feira (29), desde a tragédia que matou João Victor Gontijo Oliveira, de 10 anos, vítima de um choque elétrico na Vila Jussara. A audiência, ocorrida no Ministério Público de Goiás (MPGO), deu início às discussões que buscam soluções e responsabilidades sobre fios soltos na cidade, ocorrendo 11 dias após o trágico incidente.
Até o momento, não houve atribuição oficial de culpa para a existência do fio solto energizado que causou a morte do garoto. A responsabilização formal deve aguardar o resultado de uma segunda perícia em andamento.
Durante a coletiva de imprensa que se seguiu à audiência, o prefeito Márcio Corrêa (PL) não poupou críticas à Equatorial, concessionária responsável pelos postes de energia elétrica.
"A Equatorial está lavando as mãos dentro da responsabilidade", acusou Corrêa, referindo-se à empresa como "inerte". Ele denunciou a constante tentativa da concessionária de transferir a culpa para empresas de telecomunicação e internet.
"Elas também jogam a responsabilidade de volta à Equatorial", destacou o prefeito.
Em resposta, a Equatorial emitiu nota reafirmando que, segundo regulamentações vigentes, a responsabilidade pela instalação e manutenção dos fios de telefonia e internet cabe às empresas de telecomunicações. Contudo, admitiu que lhes compete a fiscalização e notificação necessárias.
O prefeito Márcio Corrêa também dirigiu suas críticas às empresas de telecomunicação, as alegando inativas até então.
"Só houve movimentação agora que mexeu no bolso deles. Ontem, quando começamos a tirar os cabos irregulares, dezenas de empresas apareceram", afirmou ele.
Diante de tal impasse, Corrêa anunciou a intenção de realizar uma nova audiência, marcada para a próxima terça-feira (07), com os provedores de internet envolvidos, a fim de buscar soluções concretas.
O promotor de Justiça Alberto Francisco Cachuba Júnior destacou que o MPGO já atua em procedimentos para tentar frear a instalação desordenada e irregular de cabos nos postes das cidades, mas até hoje sem êxito significativo.
No comunicado da Equatorial, a companhia destacou que já realizou mais de 311 mil fiscalizações em postes, resultando em 174 mil notificações para 473 empresas de telecomunicações. A empresa ressaltou, ainda, a importância do diálogo contínuo entre todas as partes envolvidas para garantir a transparência e cooperação institucional.
A Equatorial também enfatizou que parte dos valores obtidos com o compartilhamento dos postes é destinada a tributos e à redução tarifária, beneficiando, assim, os consumidores a nível nacional.
Leia a nota da Equatorial na íntegra:
"A Equatorial Goiás participou, nesta terça-feira (30), de reunião no Ministério Público de Anápolis para tratar da situação dos cabos de telefonia instalados nos postes da cidade. No encontro, ficou definido, em alinhamento com a Prefeitura e o Ministério Público, a realização de nova reunião com a participação das empresas de telecomunicações, com o objetivo de dar início a um plano de trabalho voltado ao reordenamento desses cabos. A companhia entende que a iniciativa reforça a importância do diálogo permanente entre Ministério Público, Prefeitura, empresas de telecomunicações e distribuidora, como pilar essencial de transparência, cooperação institucional e proximidade com a sociedade. Na ocasião, a Equatorial Goiás apresentou o trabalho já realizado em conformidade com a Resolução Conjunta nº 004/14, Aneel e Anatel. A norma estabelece que a responsabilidade pela instalação, ordenação e manutenção dos fios de telefonia e internet é das empresas de telecomunicações, cabendo às distribuidoras a fiscalização e notificação para que os ajustes necessários sejam providenciados. Desde o início da concessão, há pouco mais de dois anos e meio, a Equatorial Goiás realizou mais de 311 mil fiscalizações em postes em todo o estado, que resultaram em aproximadamente 174 mil notificações encaminhadas a cerca de 473 empresas de telecomunicações. A companhia ressalta ainda que, do valor arrecadado pelo compartilhamento dos postes, 40% são destinados a tributos e 60% à amortização tarifária, contribuindo para a modicidade tarifária e a redução do valor da conta de energia paga pelos consumidores, conforme modelo aplicado em todo o país.
Assessoria de Imprensa da Equatorial Goiás"

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