Maioria da bancada goiana avalia trocar de partido antes das eleições; confira
A regra da fidelidade partidária se aplica aos cargos eleitos pelo sistema proporcional, como deputados federais e estaduais, nos quais o mandato também pertence ao partido.

Levantamento do jornal O Popular indica que a maioria dos 17 deputados federais de Goiás admite a possibilidade de trocar de partido para disputar as eleições deste ano ou avalia seriamente a mudança. A indefinição das chapas, a viabilidade das legendas e critérios de competitividade estão entre os principais motivos citados pelos parlamentares, com base em declarações públicas, entrevistas recentes e respostas diretas à reportagem.
Para efetivar a troca sem risco de perda de mandato por infidelidade partidária, os deputados devem aguardar a janela partidária, período de 30 dias previsto na legislação eleitoral, que ocorre entre março e o início de abril. Fora desse intervalo, a desfiliação só é considerada válida em casos de justa causa — como perseguição política ou mudança no programa partidário — ou mediante carta de anuência da sigla.
A regra da fidelidade partidária se aplica aos cargos eleitos pelo sistema proporcional, como deputados federais e estaduais, nos quais o mandato também pertence ao partido. Já para os cargos do sistema majoritário, o entendimento é diferente. Em 2015, o Supremo Tribunal Federal decidiu que a perda de mandato por troca de partido não se aplica a prefeitos, governadores, senadores e ao presidente da República, por violar a soberania do voto popular.
Entre os parlamentares com destino considerado praticamente definido estão Lêda Borges (PSDB), Magda Mofatto (PRD), Professor Alcides (PL) e Zacharias Calil (União Brasil). De olho no Senado, Zacharias afirmou que conversou com o governador Ronaldo Caiado e avalia migrar para um partido com candidatura própria ao governo estadual, citando PL e PSDB como opções. Ele também disse que pretende dialogar com o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, antes de formalizar a saída.
Professor Alcides declarou que deve retornar ao PSDB, legenda à qual já foi filiado, enquanto Lêda Borges afirmou que mantém conversas avançadas com o Republicanos. Já Magda Mofatto acertou o retorno ao Partido Liberal, em articulação nacional conduzida pelo presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, com interlocução do governador Caiado. Entre os movimentos em curso, há ainda a deputada Silvye Alves, que anunciou a saída do União Brasil após relatar ter sofrido coação em uma votação no Congresso.
Outros integrantes da bancada também avaliam mudanças. Coordenadora do grupo, Flávia Morais (PDT) confirmou que discutirá seu futuro em reunião com o presidente nacional da legenda, Carlos Lupi, marcada para 4 de fevereiro, e não descarta migrar caso o partido não apresente uma chapa considerada competitiva. Situação semelhante vive Ismael Alexandrino (PSD), que vem sendo cortejado pelo PL e condiciona sua permanência à consolidação de uma nominata forte para a disputa proporcional.
Jeferson Rodrigues (Republicanos) e Marussa Boldrin (MDB) também analisam a possibilidade de troca de sigla durante a próxima janela partidária, diante do redesenho das alianças estaduais e da formação de blocos mais robustos para 2026. Nos bastidores, a avaliação é de que a janela deste ano deve provocar uma das maiores reconfigurações recentes da bancada goiana na Câmara dos Deputados.

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