Mabel vai à Câmara de Goiânia e apresenta superávit de R$ 678 milhões; veja vídeo
Embora o resultado tenha sido considerado expressivo, a administração municipal ainda enfrenta situação de calamidade financeira, sendo incapaz de atender investimento mínimo na educação

A Prefeitura de Goiânia encerrou o segundo quadrimestre deste ano com um superávit primário de R$ 678,7 milhões, um sinal positivo em meio a um cenário econômico desafiador. Embora o resultado financeiro tenha sido considerado expressivo, a administração municipal ainda enfrenta a complexa realidade de uma calamidade financeira, sendo incapaz de atender ao investimento mínimo exigido na educação.
Contrapondo-se ao resultado atual, no mesmo período do ano passado, o município registrou um déficit de R$ 166,6 milhões, evidenciando a recuperação nas contas públicas. O prefeito Sandro Mabel (UB) destacou que muitas das receitas foram empregadas para quitar dívidas acumuladas, incluindo uma significativa conta de R$ 180 milhões da Fundação de Hospitalar de Goiânia (Fundahc), que foi renegociada para R$ 75 milhões.
“Negociamos com bancos e fornecedores, obtendo descontos entre 20% e 40% e parcelamentos em até 40 meses”, relatou.
Entretanto, a declaração de calamidade financeira foi questionada por vereadores, entre eles Aava Santiago (PSDB). A parlamentar fez uma crítica ao afirmar que “é impossível afirmar que estamos em calamidade diante dos resultados superavitários apresentados por dois quadrimestres consecutivos”. Para Santiago, o cenário de superávit, em conjunto com uma arrecadação maior do que a do ano anterior, gera uma percepção de inconsistência.
“Isso reforça a tese de que se trata de uma calamidade sazonal, conveniente para a administração em determinados momentos”, continuou.
O superávit primário é um indicativo fundamental da saúde fiscal de um município, refletindo a diferença entre receitas e despesas excluindo juros e amortizações. Segundo dados divulgados pela Secretaria Municipal da Fazenda (Sefaz), o aumento da arrecadação, com um crescimento de 12,08% em relação ao segundo quadrimestre de 2024, e a contenção de gastos foram cruciais para alcançar o saldo positivo. Em contrapartida, as despesas totais diminuíram 5,99%, destacando uma redução em investimentos e outras despesas correntes.
Na área da saúde, o município aplicou R$ 828 milhões, representando 20,76% da receita total, superando o mínimo constitucional de 15%. No entanto, os investimentos em educação, com um total de R$ 805,6 milhões, ficaram em 20,06%, aquém do limite constitucional de 25%.
Diante deste panorama, o prefeito Mabel reafirmou a importância do superávit financeiro para promover novos investimentos, especialmente em setores essenciais.
“Melhoramos o aproveitamento do dinheiro da educação e devemos aplicar quase R$ 200 milhões na área este ano. Além disso, pretendemos fortalecer a saúde e outros serviços públicos”, garantiu.
Conforme Mabel, a gestão passada acumulou uma dívida significativa, e a realidade enfrentada pela atual administração é reflexo dos desafios deixados.
“Assumimos uma cidade em estado de abandono. A saúde estava debilitada, com dificuldades para atender a população e garantir a entrega de medicamentos. Cheguei a assinar garantias pessoais para garantir a compra de remédios”, disse o prefeito. Ele destacou que, até hoje, seu salário foi destinado para a saúde, evidenciando seu compromisso com o setor.
A realidade em Goiânia, com um superávit primário em meio à calamidade financeira, gera um debate necessário sobre a responsabilidade fiscal e a direcionamento de investimentos em áreas fundamentais, como saúde e educação.

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