Mabel recebeu ameaças, com fotos dos netos, enquando "desmamava bezerrões" da Comurg
Pressionado após cortar privilégios na Comurg, o prefeito Sandro Mabel diz ter recebido ameaças, incluindo carta com dados sobre seus netos

O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, afirmou ter sofrido ameaças após iniciar uma ampla reestruturação na Comurg. Segundo ele, a ofensiva para cortar privilégios e reduzir gastos atingiu interesses antigos dentro da companhia — e provocou reações diretas, incluindo o envio de uma carta com informações sobre seus netos.
“Recebi ameaças, inclusive com dados da minha família. Mesmo assim, não tenho medo”, diz prefeito
Em tom duro e direto, o prefeito afirma que precisou “desmamar os bezerros” para evitar o colapso da companhia. A expressão, usada por ele, faz referência a pessoas que, segundo sua avaliação, se beneficiavam da estrutura pública sem contrapartida.
Mabel relata que, no auge das mudanças, recebeu ameaças explícitas. A mais grave, segundo ele, foi uma carta com detalhes sobre seus netos — um episódio que elevou o tom da crise interna. Mesmo assim, o prefeito diz não recuar.
“Quem age de forma errada comigo vai encontrar resposta firme”, declarou.
A fala vem no momento em que a prefeitura promove o que classifica como a maior reestruturação da história da Comurg. A gestão reduziu drasticamente a máquina administrativa, cortando diretorias, cargos de liderança e centenas de posições comissionadas.
O impacto foi imediato: a folha de pagamento caiu de R$ 41 milhões, em dezembro de 2024, para R$ 26 milhões em janeiro de 2026. Ao todo, mais de mil pessoas foram desligadas, incluindo casos de aposentadoria, além de centenas de aposentadorias estimuladas por órgãos de controle.
Nos bastidores, a avaliação é que o corte atingiu diretamente grupos que, segundo o prefeito, estavam “grudados na estrutura pública”. Ele os chamou de “carrapatos” — expressão que reforça o tom de confronto adotado pela gestão.
Apesar do clima de tensão, Mabel sustenta que a companhia entrou em uma nova fase. A dívida, que já chegou a R$ 2,8 bilhões, foi reduzida para cerca de R$ 366 milhões após negociações com órgãos como Receita Federal e Ministério Público, com parcelamento em até dez anos.
“Recebi ameaças, inclusive com dados da minha família. Mesmo assim, não tenho medo”, diz prefeito
A virada também aparece no resultado financeiro: após um prejuízo bilionário em 2024, a empresa registrou economia de R$ 189 milhões em 2025, impulsionada principalmente pela redução de gastos com pessoal e contratos.
Hoje, segundo a prefeitura, a Comurg opera sem depender de repasses diretos do município, com autonomia financeira respaldada por decisão do Tribunal de Contas dos Municípios.
Mesmo sob pressão, o prefeito insiste que a mudança não tem foco em demissões, mas em reestruturação. Ele afirma que a meta é transformar a companhia em uma empresa “que contrata, cresce e gera orgulho” para Goiânia — embora admita que o processo esteja longe de ser pacífico.
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