Mabel explica que prorrogação da calamidade em Goiânia é devido a "dívida surpresa" deixada por Cruz
O atual prefeito de Goiânia detalha que o SUS mandou dinheiro para pagamento dos prestadores, mas a gestão de Rogério Cruz não repassou pagamentos aos fornecedores

O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (UB), afirmou que a decisão de prorrogar por mais seis meses a situação de calamidade pública na saúde da capital está diretamente ligada a uma dívida de R$ 119 milhões que, segundo ele, foi deixada pela administração do ex-prefeito Rogério Cruz junto a prestadores do Sistema Único de Saúde (SUS).
De acordo com Mabel, o valor corresponde a serviços que teriam sido pagos pelo SUS, mas não repassados pelo município aos fornecedores.
“O SUS mandou uma conta para nós agora de R$ 119 milhões que não foram pagos. Ou melhor, foram pagos pelo SUS, mas o município de Goiânia não repassou aos fornecedores. Então essa conta sobrou para eu pagar, é conta da gestão passada”, disse o prefeito.
Segundo ele, o débito não estava previsto no planejamento financeiro da atual gestão, o que tornou necessária a extensão do decreto de calamidade.
“Esses R$ 119 milhões não estavam na programação. Por isso é importante essa prorrogação agora. A calamidade financeira já conseguimos superar, ainda apertados, mas estamos superando. A da saúde é muito grave e se agravou ainda mais com essa cobrança”, afirmou.
Mabel acrescentou que não descarta a possibilidade de uma nova prorrogação, caso a situação não seja equacionada no prazo atual.
“Vamos trabalhando com a arrecadação e, se não precisar de mais tempo, a gente não pede”, disse.
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Entenda o caso
A Prefeitura de Goiânia publicou, no início da noite desta quarta-feira (9), decreto que estende por mais seis meses a situação de calamidade pública na saúde do município. O texto, assinado por Sandro Mabel e divulgado no Diário Oficial, sustenta que a medida é necessária diante de um cenário considerado crítico na rede municipal.
Segundo o decreto, a nova gestão aponta que herdou dívidas expressivas da administração anterior. O prefeito afirma que o débito total com prestadores do SUS chega a cerca de R$ 200 milhões, dos quais aproximadamente metade teria sido renegociada até o momento.
O documento também menciona problemas estruturais na Secretaria Municipal de Saúde, como unidades sucateadas, falta de medicamentos e materiais básicos, além de longas filas para a realização de cirurgias e exames.
A prorrogação da calamidade está prevista para começar a valer em janeiro, mas ainda depende de aprovação da Assembleia Legislativa de Goiás para entrar em vigor.

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