Mabel e Caiado entregam “novo Terminal Praça A” e 21 novos ônibus 100% elétricos; veja vídeo
Novo terminal e frota elétrica ampliam capacidade do BRT Leste–Oeste e colocam Goiânia na rota da modernização do transporte coletivo, com mais conforto e manutenção da tarifa

Goiânia deu nesta sexta-feira (30) um passo relevante na tentativa de alinhar discurso e prática quando o assunto é mobilidade urbana. O prefeito Sandro Mabel (União Brasil) e o governador Ronaldo Caiado (PSD) entregaram o novo Terminal Praça A, no setor Campinas, e colocaram em operação 21 novos ônibus 100% elétricos no sistema BRT Leste–Oeste — uma combinação de obras físicas, renovação de frota e infraestrutura energética que reposiciona a capital goiana no debate nacional sobre transporte coletivo.
O pacote inclui cinco ônibus biarticulados e 16 articulados elétricos, além da inauguração do Eletroposto Oeste, considerado o maior terminal de recarga de ônibus elétricos do país, instalado na garagem da Metrobus. A programação oficial começou justamente ali, com visita técnica à estrutura, antes do trajeto inaugural pelo Eixo Anhanguera até o novo terminal, realizado a bordo dos novos veículos.
O Terminal Praça A foi completamente reconstruído. Com área três vezes maior que a anterior, o espaço passa a operar com cinco plataformas de embarque e desembarque, catracas modernizadas, banheiros reformados, melhorias de acessibilidade e um sistema de monitoramento por câmeras em funcionamento contínuo. A promessa é de mais segurança e fluidez em um dos pontos mais sensíveis do corredor Leste–Oeste.
As obras começaram em abril de 2025 e consumiram cerca de R$ 30 milhões em investimentos do Governo de Goiás. A entrega integra o Projeto Nova Anhanguera, braço do Projeto Nova RMTC (Rede Metropolitana de Transportes Coletivos), que prevê a requalificação de terminais e corredores com um padrão único de infraestrutura e operação em Goiânia e na região metropolitana.
No eixo da frota, os números chamam atenção. Os cinco biarticulados elétricos incorporados ao sistema estão entre os maiores veículos do mundo em operação no transporte coletivo urbano. Segundo o governo estadual, a aposta na eletrificação busca reduzir custos operacionais no médio prazo, além de diminuir a emissão de poluentes e o nível de ruído — um ganho ambiental e também urbano.
Para a Metrobus, estatal responsável pela operação do BRT, a nova frota representa mais do que renovação estética. De acordo com o presidente da empresa, Francisco Caldas, os veículos trazem economia operacional e colocam o sistema em um novo patamar tecnológico. Os motoristas também passaram por treinamento específico. Com 15 anos de experiência na empresa, Andreia Félix já está habilitada para conduzir os novos ônibus elétricos, que exigem procedimentos distintos dos modelos a diesel.
A sustentação dessa virada tecnológica passa pelo Eletroposto Oeste. A estrutura tem capacidade para recarregar simultaneamente dezenas de veículos, ampliando a autonomia operacional do sistema. O presidente da CMTC, Murilo Ulhôa, afirmou que novos investimentos no setor estão previstos, sinalizando que a eletrificação deve avançar para além do BRT.
Durante a solenidade, Caiado fez questão de sublinhar um ponto sensível para usuários e operadores: a tarifa. O governador afirmou que, apesar do processo de modernização e dos investimentos elevados, o compromisso do governo é manter o valor da passagem na rede metropolitana. É uma promessa que dialoga diretamente com a história recente do transporte coletivo no país, marcada por crises financeiras, subsídios crescentes e serviços frequentemente aquém das expectativas.
Ao combinar novo terminal, frota elétrica e infraestrutura de recarga em um mesmo movimento, Goiânia tenta se apresentar como vitrine de um modelo mais sustentável e eficiente de transporte público. Resta saber se a robustez do investimento será acompanhada, no cotidiano, por regularidade, conforto e previsibilidade — itens que, para o usuário, pesam tanto quanto a inovação tecnológica.

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