Mabel detalha ‘Nova Comurg’ após derrubar dívida em R$ 2,8 bi e ‘desmamar bezerrões'; veja vídeo
Prefeito descreveu o enfrentamento à cultura de apadrinhamento político que dominava a empresa. Sem poupar palavras, o prefeito afirmou que a sobrevivência da Comurg dependia de uma ruptura com a "malandragem"

O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (UB), detalhou na manhã desta terça-feira (14) o novo contrato de zeladoria urbana da capital, que oficializa o que ele chamou de "Nova Comurg". O documento não é apenas uma reorganização administrativa, mas o selo final de uma reestruturação que tirou a Companhia de Urbanização de uma dívida sufocante de R$ 2,8 bilhões para um patamar de equilíbrio fiscal inédito em décadas.
Durante a coletiva, Mabel descreveu o enfrentamento à cultura de apadrinhamento político que dominava a empresa. Sem poupar palavras, o prefeito afirmou que a sobrevivência da Comurg dependia de uma ruptura com a "malandragem".
"Para a companhia sobreviver, eu tive que ‘desmamar os bezerros’. Não tenho medo de ameaças — tenho coragem. E é por isso que a Comurg está sendo arrumada do jeito que está. Estamos acabando com injustiças e malandragens, mas também construindo uma empresa que vai crescer. Não é uma companhia para demitir, é uma companhia para contratar e gerar orgulho para Goiânia. A imagem da Comurg estava sendo manchada por pessoas que se aproveitavam da estrutura.", disparou o prefeito.
O presidente da Comurg, Coronel Cléber, apresentou um raio-X do que encontrou ao assumir a gestão. Segundo ele, a companhia vivia sob uma "lógica predatória", com uma estrutura inchada propositalmente: eram 629 lideranças intermediárias para apenas 9 diretorias.
O resultado dessa gestão, classificada por Cléber como falta de transparência, era uma dívida acumulada de R$ 2,8 bilhões e um prejuízo que, somente em 2024, chegou a R$ 1,2 bilhão.
O prefeito destaca que a Comurg vive uma nova fase na Comurg, marcada por eficiência, equilíbrio e expansão — a maior transformação da história da companhia. Explica que em março de 2025 foi o ponto de virada, com a implantação de uma nova governança, forte redução de passivos e a maior reestruturação já realizada.
"Reduzimos a estrutura administrativa para aumentar os resultados: saímos de 9 diretorias para 4 e reduzimos as lideranças de 639 para 217. Também realizamos o desligamento de 1.187 pessoas que não deveriam mais estar na ativa, incluindo casos de aposentadoria. A folha de pagamento caiu de 41 milhões de reais, em dezembro de 2024, para 26 milhões em janeiro de 2026. Tivemos ainda 641 aposentadorias solicitadas pelo TCM e o corte de 468 cargos comissionados", detalhou Mabel.
Mabel afirma que hoje a Comurg é independente financeiramente, não depende mais de repasses da prefeitura. Uma decisão do TCM garantiu essa autonomia, reduzindo riscos fiscais e preservando a capacidade de financiamento. Além disso, foi ampliado o escopo de atuação da companhia, que passou de 33 para até 56 tipos de serviços.
Os Números da Virada (Em 15 Meses):
A "Nova Comurg" apresenta indicadores que impressionam pelo volume e pela rapidez da execução:
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Dívida Saneada: De R$ 2,8 bilhões para R$ 366 milhões (queda de 85% após negociação fiscal histórica).
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Corte de Gastos: Economia operacional de R$ 189 milhões em pessoal, máquinas e manutenção.
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Folha de Pagamento: Redução drástica de R$ 41 milhões (dez/24) para R$ 26 milhões (jan/26).
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Reforma Administrativa: Extinção de 5 diretorias (restam 4) e redução de 639 para 217 lideranças.
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Faxina no Quadro: 1.189 desligamentos, incluindo 478 exonerações de cargos comissionados e 721 aposentadorias.
Expansão e Autonomia
Com a casa arrumada, a Comurg agora amplia a atuação. O novo contrato prevê que a companhia execute até 56 tipos de serviços (antes eram 33), incluindo a operação total do Aterro Sanitário da capital.
Uma decisão recente do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) garantiu a autonomia financeira da empresa, o que significa que ela agora caminha com as próprias pernas, sem depender de repasses mensais diretos da prefeitura, reduzindo riscos fiscais para o município.
O Futuro da Zeladoria
Mabel reforçou que o foco agora é a eficiência na ponta: a rua limpa. O novo contrato prevê monitoramento em tempo real das atividades e controle por centro de custo. "Não é uma companhia para demitir, é para contratar e valorizar quem realmente trabalha, inclusive colocando o servidor para trabalhar mais perto de casa", concluiu o prefeito.

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