Mabel cobra pressa da Câmara e diz que projetos “estão parados” na CCJ
Propostas para Goiânia incluem a autonomia financeira para unidades de saúde e o programa Morar no Centro

O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (UB), subiu o tom contra a Câmara Municipal ao cobrar mais agilidade na análise de projetos enviados pelo Executivo. Segundo ele, propostas consideradas estratégicas pela gestão seguem travadas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), à espera de distribuição.
A crítica de Mabel mira diretamente o ritmo do Legislativo. De acordo com o prefeito, matérias com impacto direto na prestação de serviços públicos ainda não avançaram sequer na fase inicial de tramitação.
“Já está na Câmara, mas ainda não foi distribuído. Está parado na CCJ”, afirmou, ao defender mais rapidez na análise.
Entre os principais projetos citados está o Programa de Autonomia Financeira das Unidades de Saúde (Pafus). A proposta prevê descentralizar recursos para que postos de saúde tenham mais independência na realização de pequenos reparos e manutenção cotidiana — modelo semelhante ao já adotado nas escolas municipais.
Na prática, a medida pretende reduzir a burocracia e acelerar soluções locais. Mabel argumenta que o volume de estruturas sob responsabilidade da prefeitura torna inviável a centralização.
“São 381 escolas e 117 postos de saúde. Se tudo depender de uma única secretaria, não anda”, disse.
Outra aposta da gestão é o programa Morar no Centro. A iniciativa prevê subsídio de até 50% no valor do aluguel, por até três anos, para famílias que se mudarem para a região central de Goiânia. A meta é estimular a ocupação de imóveis vazios e revitalizar a área.
Até 3 mil famílias poderão ser beneficiadas. Entre os grupos prioritários estão mulheres chefes de família, idosos, pessoas com deficiência e famílias com crianças e adolescentes. Os critérios detalhados ainda serão definidos pelo Executivo.
O projeto também estabelece contrapartidas para proprietários de imóveis, como a exigência de condições adequadas de moradia e a autorização para vistorias periódicas. Em troca, haverá isenção de IPTU durante o período de locação.
Além das propostas que dependem da Câmara, Mabel defendeu uma medida que pode ser adotada diretamente pela prefeitura: a transferência da manutenção de praças para a iniciativa privada. A ideia, segundo ele, é aliviar os cofres públicos e redirecionar recursos para áreas mais carentes.
Como exemplo, o prefeito citou o Parque Vaca Brava, sugerindo que espaços desse porte poderiam ser mantidos por parceiros privados em troca de exposição de marca. “Alguém pode cuidar, manter bonito, colocar banheiros e ainda fazer sua propaganda”, declarou.
A cobrança pública escancara a tensão entre Executivo e Legislativo e indica que o andamento das propostas deve virar novo ponto de disputa política na capital.

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