Mabel aposta em autonomia financeira da Saúde e investe R$ 10 milhões ainda em 2026
Prefeito de Goiânia quer dinheiro direto às unidades para acelerar reparos e reduzir filas na Capital

O prefeito Sandro Mabel (UB) apresentou nesta semana o Programa de Autonomia Financeira das Unidades de Saúde (Pafus), uma aposta da gestão para dar mais agilidade ao atendimento e enfrentar problemas estruturais históricos da rede pública em Goiânia. A proposta inclui desde a construção de oito novas UPAs até a descentralização de recursos para 117 unidades de saúde, permitindo que elas próprias resolvam demandas do dia a dia.
Segundo Mabel, apesar de avanços iniciais, a rede ainda sofre com prédios antigos e manutenção lenta, o que impacta diretamente no atendimento. A meta central, afirma, é reduzir o tempo de permanência dos pacientes nas unidades de urgência e emergência.
“A gente precisa acabar com isso de paciente dormir em sala vermelha. Ninguém pode ficar mais de 24 horas. Hoje, muitas dessas salas viraram UTI improvisada por falta de leito regulado pelo Estado”, disse o prefeito.
O plano prevê repasses diretos de R$ 30 mil a R$ 60 mil por unidade, com recursos do Fundo Municipal de Saúde. O dinheiro será usado principalmente para manutenção, compra de materiais básicos e pequenos reparos — problemas que hoje, segundo a prefeitura, podem levar semanas ou até meses para serem resolvidos por causa da burocracia.
Mabel citou como inspiração o modelo adotado na educação municipal, onde a descentralização de cerca de R$ 225 milhões permitiu melhorias estruturais e mais autonomia às escolas.
“Queimava uma lâmpada, entrava na fila. Quebrava uma descarga, entrava na fila. Isso demorava muitos dias. Agora, a própria unidade resolve. É um absurdo chegar em posto de saúde e ver banheiro quebrado, porta estragada. Vamos ter que acabar com isso”, afirmou.
O Pafus vai distribuir os recursos entre sete distritos sanitários, abrangendo unidades básicas, centros de atenção psicossocial e unidades de urgência. Cada local terá uma comissão com profissionais e representantes da comunidade, responsável por definir prioridades e fiscalizar os gastos.
A prestação de contas será trimestral e acompanhada pelo Conselho Municipal de Saúde, além de órgãos de controle como a Controladoria Geral do Município e o Tribunal de Contas dos Municípios.
De acordo com o prefeito, o investimento previsto para 2026 gira entre R$ 8 milhões e R$ 10 milhões. A expectativa é ampliar o programa no ano seguinte, com repasses que podem chegar a R$ 200 mil por unidade, totalizando cerca de R$ 20 milhões.
O projeto já foi encaminhado à Câmara Municipal e, segundo a Secretaria de Saúde, deve ser aprovado em até 15 dias. A gestão aposta que, com menos burocracia e mais autonomia local, será possível resolver problemas simples com rapidez — e, ao mesmo tempo, melhorar a qualidade do atendimento à população.

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