Lula reafirma Flávio Bolsonaro "traidor da Pátria" e o responsabiliza por novo tarifaço de Trump; assista
Em evento em Catalão (GO), presidente resgata publicações de Flávio e Eduardo Bolsonaro elogiando medidas dos EUA e dispara: "No dia em que Trump puniu o Brasil, eles agradeceram"

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em evento em Goiás, voltou a subir o tom contra a família Bolsonaro nesta terça-feira (2), durante a inauguração de um campus universitário em Catalão, no sudeste do estado. Em discurso marcado por críticas aos Estados Unidos e aos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Lula responsabilizou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pela crise comercial envolvendo a nova taxação de produtos brasileiros pelo governo de Donald Trump e classificou a postura do parlamentar como uma atitude de "traidor da Pátria".
Diante de apoiadores, o presidente relembrou publicações feitas por Flávio Bolsonaro e pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro em julho de 2025, quando Trump anunciou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. Segundo Lula, os dois comemoraram a medida norte-americana, mesmo com os impactos negativos para a economia nacional.
"Os meninos do Bolsonaro", afirmou o petista, ao citar uma postagem atribuída a Flávio no dia em que o governo dos Estados Unidos anunciou a sobretaxa. Lula destacou que o senador teria escrito: "Obrigado, Trump. Faça o Brasil livre de novo", além de defender a aplicação da chamada Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras.
O presidente também mencionou Eduardo Bolsonaro, afirmando que o ex-deputado igualmente elogiou as medidas adotadas por Trump e defendeu sanções contra o Brasil. Para Lula, as manifestações demonstram apoio a ações que prejudicam o país.
As declarações ocorreram enquanto o governo brasileiro tenta destravar as negociações comerciais com Washington. Lula revelou que o impasse continua mesmo após três rodadas de conversas entre representantes dos dois países.
Ao comentar o assunto, o presidente relatou detalhes de uma reunião que teve com Donald Trump nos Estados Unidos. Segundo ele, os dois conversaram por cerca de três horas e discutiram diretamente as divergências comerciais.
Lula afirmou ter entregue quatro documentos ao presidente norte-americano para contestar a justificativa usada pelos EUA para aplicar as tarifas. De acordo com o petista, os dados mostram que os americanos registram superávit na relação comercial com o Brasil e que diversos produtos dos Estados Unidos entram no mercado brasileiro sem cobrança de impostos.
Ainda segundo o presidente, durante a reunião foi estabelecido um prazo de 30 dias para que os ministros do Comércio dos dois países tentassem solucionar as divergências técnicas sobre as tarifas.
"Se eu tiver errado, eu aceito. Se você tiver errado, você aceita", relatou Lula ao descrever a conversa com Trump.
Apesar do compromisso firmado, o presidente afirmou que as negociações não avançaram.
"Até agora já conversaram três vezes e não houve acordo", declarou.
Mesmo diante do impasse, Lula disse que o Brasil continuará buscando o diálogo com os Estados Unidos, mas sem abrir mão da defesa dos interesses nacionais e da soberania brasileira.

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