Lula quer trocar PEC por PL para furar bloqueio e acelerar fim da escala 6x1
Objetivo é estabelecer duas folgas na semana, mas proposta enfrenta forte resistência do Centrão e do comércio

O Governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está mudando a estratégia para emplacar uma das suas principais bandeiras trabalhistas: o fim da escala 6x1. Avaliando que a tramitação de uma emenda constitucional é muito lenta, o Planalto agora estuda abandonar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) e focar em um Projeto de Lei (PL) que trate do mesmo assunto. A mudança tem como objetivo acelerar o processo e estabelecer o padrão 5x2, garantindo dois dias de folga por semana para os trabalhadores.
A PEC que propunha o fim da escala 6x1 (seis dias de trabalho para um de descanso) está enfrentando um muro no Congresso Nacional. Diante da resistência, o governo Lula decidiu que é hora de mudar a tática para não deixar a promessa morrer. A nova estratégia é abandonar a alteração constitucional e focar em projetos de lei, que têm um caminho mais rápido e simples de ser aprovados. O governo já começou a mapear as propostas que podem ser adotadas.
Uma das mais fortes é o Projeto de Lei 67/2025, da deputada Daiana Santos (PCdoB-RS). O texto é direto: ele acaba com a jornada 6x1 e fixa o padrão 5x2, garantindo dois dias de descanso por semana e limitando a carga horária semanal a 40 horas.
Resistência e Jogo Político
O PL 67/2025 já está em análise na Comissão de Trabalho da Câmara e precisa ser aprovado também na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) antes de ir para votação no plenário. Apesar da nova rota ser mais rápida, o fim da escala 6x1 ainda enfrenta uma ampla resistência no Congresso, especialmente do Centrão e de setores da economia, como o comércio, que dependem dessa jornada.
Parlamentares da oposição e do Centrão estão trabalhando para que o projeto nem seja votado. A situação é delicada: eles temem ser obrigados a votar a favor para evitar uma repercussão negativa em um ano pré-eleitoral, já que a medida é muito popular entre os trabalhadores.
Para a esquerda, a mudança na lei trabalhista é vista como a principal bandeira social desta gestão e, politicamente, uma grande oportunidade de "emparedar" os adversários, forçando-os a tomar uma posição pública sobre o direito à folga.
Por Que o PL Tramita Mais Rápido?
O caminho do Projeto de Lei é um atalho político e burocrático, sendo muito mais difícil de ser barrado pelos adversários:
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Menos Votos para Aprovar: A PEC exige a chamada "supermaioria" (3/5), difícil de ser construída. Já o PL precisa apenas de maioria simples, um número muito mais fácil de o Governo conseguir, especialmente em um tema popular.
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Menos Votações: Enquanto a PEC tem que ser votada quatro vezes (duas em cada Casa), o que prolonga o debate e aumenta o risco de ser rejeitada, o PL precisa ser votado apenas uma vez em cada Casa, reduzindo pela metade o tempo de tramitação.
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Menos Etapas Burocráticas: A PEC exige, obrigatoriamente, a criação de uma Comissão Especial para análise do mérito antes de ir ao Plenário. O PL geralmente pula essa etapa, indo direto para as Comissões Permanentes (Trabalho e CCJ), o que economiza um tempo precioso para a base governista.
Ao trocar a PEC pelo PL, o Governo Lula consegue tirar o debate do campo da rigidez constitucional e colocá-lo no campo da legislação comum, usando a pressão popular para forçar a aprovação do fim da escala 6x1, que é vista como uma oportunidade de "emparedar" a oposição antes das eleições.

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