O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a gerar controvérsia nesta segunda-feira (13) ao fazer declarações sobre a participação feminina na política que foram interpretadas como misóginas. Durante evento, Lula condicionou a presença das mulheres na vida pública à organização das tarefas domésticas e ao cuidado com os filhos, provocando reação imediata.
Fala do presidente reacende debate sobre machismo estrutural e papel da mulher na política
A fala de Luiz Inácio Lula da Silva durante um evento na tarde de segunda-feira (13) caiu como uma bomba e abriu mais uma frente de desgaste para o governo. Ao comentar a participação feminina na política, o presidente levantou questionamentos sobre quem cuidaria da casa e dos filhos — atribuindo, na prática, essa responsabilidade às mulheres.
“Quem é que vai dar janta para aquela criança? Quem é que vai dar banho naquela criança? Quem é que vai colocar aquela criança para dormir?”, disse Lula, em tom que rapidamente foi criticado por reforçar um papel tradicional e desigual.
Embora tenha citado a importância de creches e defendido maior participação dos homens nas tarefas domésticas, o discurso acabou seguindo uma lógica considerada ultrapassada: a mulher como responsável principal pelo lar e o homem como alguém que “ajuda” — e não divide igualmente as funções.
A escolha das palavras também virou alvo de críticas. Para analistas, ao usar o termo “ajudar”, o presidente reforça uma visão em que o trabalho doméstico continua sendo visto como obrigação feminina, enquanto o homem aparece apenas como coadjuvante.
A declaração ainda ampliou questionamentos sobre a prática do próprio governo. Críticos apontam que a presença feminina em cargos de maior relevância segue limitada, com poucas mulheres em ministérios estratégicos e ausência de indicações femininas para posições como o Supremo Tribunal Federal (STF) ou a Procuradoria-Geral da República (PGR).
O episódio reacende um debate recorrente: até que ponto discursos públicos refletem — ou contradizem — as ações efetivas de promoção da igualdade de gênero dentro da própria estrutura de poder.