Kajuru revela ‘preço’ para Moro se filiar ao Podemos e acusa de torrar dinheiro público com relógios, bolsas e óculos
Senador diz querer distância do ex-juiz: “Não tem caráter”

O senador por Goiás, Jorge Kajuru (Podemos), afirmou que o ex-juiz e senador eleito Sérgio Moro (UB) não possui caráter e pediu salário líquido de R$ 40 mil para se filiar ao Podemos, período em que pretendia disputar a presidência da República.
Na declaração dada durante entrevista, na semana passada, ao canal do jornalista Marco Antônio Villa no YouTube, o senador ainda disse que o ex-juiz da Lava Jato cometeu crime ao comprar óculos, relógios e bolsas com dinheiro público.
“Ele mandou a nota fiscal para o Podemos pagar. E o partido pagou de forma irregular. Ele, Moro, também de forma corrupta, fez compras pessoais com dinheiro público. Isso é crime”, detonou Kajuru.
O parlamentar também detalhou o pedido de salário feito por Sérgio Moro para que disputasse um cargo eletivo pelo partido.
“Ele entrou no Podemos e exigiu um contrato de quatro anos com salário líquido de R$ 4 mil. [...] A nossa presidente [Renata Abreu], pipoqueira, que eu amo, ela aceitou este contrato. Depois ele foi para Alemanha onde ficou lá cinco dias com o partido pagando tudo”, contou o senador.
São por esses motivos, segundo Kajuru, que o ex-juiz é o único parlamentar eleito que faz questão de não cumprimentar no Senado.
O ressentimento ocorre desde de março do ano passado quando Moro anunciou que estava de saída do Podemos e se filiou ao União Brasil.
A decisão causou revolta na cúpula do partido, inclusive, nos bastidores, o ex-juiz ganhou a pecha de traidor, já que a sigla havia atendido todas as demandas solicitadas por ele.
À época, uma reportagem da Folha de São Paulo mostrou o rombo deixado por Moro nas finanças do Podemos, o que confirma a fala de Kajuru.
Segundo a publicação, nos quase cinco meses em que o pré-candidato esteve no Podemos, o partido avalia ter desembolsado cerca de R$ 3 milhões com pagamento de salários mensais de R$ 22 mil brutos, R$ 210 mil no evento de filiação e R$ 600 mil em uma pesquisa qualitativa de intenção de voto.
Porém, agora, vem à tona que houve gastos de dinheiro público com compra de produtos pessoais, o que é considerado crime pela legislação brasileira.

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