Justiça nega novo habeas corpus a Pollara; defesa alega "risco à vida"
O advogado Thiago Peres expressou preocupação com a saúde do ex-secretário, que sofre de doença arterial coronariana, arritmias cardíacas, hipertensão arterial e complicações de tratamentos de dois cânceres

A Justiça indeferiu, nessa segunda-feira (02), um novo pedido de habeas corpus para Wilson Pollara, ex-secretário municipal de Saúde de Goiânia, que está preso desde a última quarta-feira (27) por supostas irregularidades em pagamentos durante sua gestão. O pedido foi feito no domingo (1º), após Pollara ser transferido para uma unidade de saúde devido a um princípio de infarto.
A defesa de Pollara, representada pelo advogado Thiago Peres, expressou preocupação com a saúde do ex-secretário, que sofre de doença arterial coronariana, arritmias cardíacas, hipertensão arterial e dificuldades de locomoção devido a problemas musculares e complicações de tratamentos de dois cânceres.
"A prisão temporária coloca em xeque a integridade física e a dignidade humana do cliente", afirmou Peres, destacando o risco à vida de Pollara caso a prisão persista.
No último sábado, o Ministério Público de Goiás (MP-GO) conseguiu a prorrogação da prisão temporária de Pollara por mais cinco dias. O processo, que corre em segredo de Justiça, investiga um esquema de pagamentos irregulares na Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Goiânia, que supostamente favoreceu empresas e causou prejuízos aos cofres públicos.
A operação, denominada "Comorbidade", resultou na prisão de Pollara e outros dois ex-gestores da SMS, Quesede Ayres Henrique e Bruno Vianna, por formarem uma associação criminosa. O esquema envolvia pagamentos não oficiais a fornecedores da Fundação de Apoio ao Hospital das Clínicas (Fundahc), impactando negativamente a gestão da saúde municipal e agravando a crise no setor, com reflexos diretos nas filas das UTIs.
Além das prisões, a operação cumpriu oito mandados de busca e apreensão, e determinou a suspensão das funções públicas dos envolvidos. Durante as buscas, R$ 20.085,00 em dinheiro foram encontrados na posse de um dos alvos.
A prefeitura de Goiânia, em nota, afirmou colaborar com as investigações e que tomará as medidas administrativas cabíveis conforme o desdobramento das apurações. No mesmo dia da operação, Cynara Mathias Costa foi nomeada como nova secretária de Saúde, substituindo Pollara.
O caso continua a ser investigado, enquanto a defesa de Pollara busca alternativas legais para garantir cuidados médicos adequados ao ex-secretário durante seu período de detenção. A situação destaca a complexidade das questões legais e de saúde em casos de detenção preventiva, especialmente quando envolvem figuras públicas e acusações de corrupção.

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