Justiça mantém na prisão "advogado do Pros" acusado de ajudar desviar R$ 36 milhões; Eurípedes segue foragido
O juiz, na decisão, diz que Bruno Pena mantém estreita e duradoura relação com Eurípedes Júnior, desempenhando o papel de “testa de ferro” e facilitador das atividades criminosas sob investigação

Juiz titular da 1ª Zona Eleitoral, Lizandro Garcia Gomes Filho, negou, nesta sexta-feira (14), o pedido de liberdade feito pela defesa de Bruno Pena e manteve o advogado na prisão. Ele foi preso pela Polícia Federal e é acusado de envolvimento no desvio de mais de R$ 36 milhões dos fundos eleitoral e partidário do PROS.
Na decisão, o magistrado alega que a investigação coletou “indícios de materialidade e autoria, denotando a prática de crimes correlatos a malversação do fundo partidário do Pros”, que há indícios de que pode haver “relações ilícitas maquiadas de serviço profissional”.
Bruno Pena foi preso na última quarta-feira (12), no âmbito da Operação Fundo do Poço, deflagrada para desarticular suposta organização criminosa que seria responsável por desviar e se apropriar de recursos do fundo partidário e eleitoral do Pros nas eleições de 2022.
No pedido de liberdade, a defesa alegou que o advogado exerce profissão lícita e regular e mantém endereço fixo em Goiânia, tem bons antecedentes e os atos a ele atribuídos “foram realizados em estrita observância com os ditames legais pertinentes à atuação da advocacia, bem como que os serviços jurídicos prestado foram objeto de notas fiscais e prestação de contas do exercício de 2022 pelo Pros”.
No entanto, o Ministério Público Eleitoral (MPE) se manifestou contra a soltura e, conforme narrado na decisão de Gomes Filho, pontuou que "a prestação de contas do Pros de 2022, constante no site Divulgação de Candidaturas e Constas Eleitorais, registra que o investigado recebeu R$ 1.928.334,13 de supostos honorários advocatícios que teriam sigo pagos com valores provenientes do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), antes do afastamento de Eurípedes Gomes pela Justiça Eleitoral do DF".
Vale destacar que Eurípedes, que também foi alvo da operação, é presidente nacional do partido Solidariedade. Ele segue foragido.
Ao negar a liberdade de Bruno Pena, o juiz afirma ter vislumbrado “evidências de íntima proximidade de Advogados, que transcendem o escopo da atividade profissional, alcançando a complacência e o proveito com o resultado de práticas criminosas”.
“No ato decisório refutado, consignei que a investigação sugere que o Advogado Bruno Pena mantém estreita e duradoura relação com Eurípedes Júnior, desempenhando o papel de “testa de ferro” e facilitador das atividades criminosas sob investigação”, afirma.

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