Justiça manda Igor Franco apagar vídeo "fake" contra Mabel
Juíza estabeleceu um prazo de apenas 48 horas para que Igor Franco exclua todas as publicações, sob pena de multa diária de R$ 1 mil em caso de descumprimento.

O vereador Igor Franco (Podemos) sofreu derrota judicial após a Justiça de Goiânia decidir a favor do prefeito Sandro Mabel (União Brasil). A determinação ordena a retirada imediata de vídeos publicados pelo parlamentar em suas redes sociais que utilizavam Inteligência Artificial (IA) para atacar e distorcer a imagem do chefe do Executivo municipal.
A decisão liminar reconheceu que houve indícios claros de abuso no uso de conteúdos manipulados digitalmente.
A juíza estabeleceu um prazo de apenas 48 horas para que Igor Franco exclua todas as publicações, sob pena de multa diária de R$ 1 mil em caso de descumprimento.
Segundo a magistrada responsável pelo caso, Fabíola Fernanda Feitosa de Medeiros Pitangui, há elementos suficientes que indicam que “os materiais divulgados associaram a imagem do prefeito a situações inexistentes”. Para a Justiça, esse tipo de prática tem o potencial perigoso de induzir a população ao erro e ampliar a desinformação no ambiente digital.
Montagens e abuso tecnológico
Na decisão, a juíza foi direta ao afirmar que “o conteúdo divulgado pelo vereador nas redes sociais ultrapassou os limites da crítica política legítima”. O ponto crucial foi o uso de recursos tecnológicos avançados capazes de simular a voz e a imagem do prefeito Mabel.
Apesar de a magistrada reconhecer que agentes públicos estão sujeitos a críticas mais intensas e ácidas por parte da oposição, Fabíola Pitangui destacou que isso “não autoriza o uso de montagens artificiais com caráter depreciativo ou potencial de confundir a opinião pública”.
A determinação não para na retirada: o vereador Igor Franco está proibido de republicar, repostar ou compartilhar novamente qualquer conteúdo semelhante nas principais plataformas digitais, o que inclui Instagram, TikTok, Facebook, Telegram, YouTube e WhatsApp.
Desinformação e dano reputacional
Outro ponto central do entendimento da Justiça foi que o uso de IA para simular situações que nunca aconteceram amplia drasticamente o alcance do dano à reputação, especialmente pela velocidade com que esses vídeos circulam nas redes sociais.
Além de exigir a retirada das publicações, a defesa de Sandro Mabel também pede uma indenização por danos morais contra o vereador. O processo segue em tramitação e Igor Franco ainda terá a oportunidade de apresentar sua defesa oficial.
Este episódio representa um revés jurídico relevante para o parlamentar, estabelecendo limites claros ao uso de ferramentas digitais no embate político local. A decisão cria um precedente importante contra o uso de montagens e reforça que a crítica institucional não pode ser confundida com a produção de conteúdos artificiais que distorcem fatos. Além disso, a decisão aumenta a pressão política sobre Igor Franco dentro da Câmara de Goiânia, associando seu nome à divulgação de material considerado ofensivo e desinformativo.

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