Justiça determina nova eleição em município de Goiás por causa de "fraude"
Os eleitores de Castelândia se preparam para voltar às urnas no próximo domingo (10), em uma eleição suplementar destinada a eleger nove vereadores para a Câmara Municipal

Os eleitores de Castelândia (200 km de Goiânia) se preparam para voltar às urnas no próximo domingo (10), em uma eleição suplementar destinada a eleger nove vereadores para a Câmara Municipal. Este pleito extraordinário foi convocado após a Justiça Eleitoral cassar cinco parlamentares eleitos em 2020 por fraude na cota de gênero em uma chapa do MDB e do Solidariedade, anulando assim todos os votos dessa coligação, que representavam 61,84% do total de votos da cidade.
Com a anulação de mais da metade dos votos, o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) determinou a realização de uma nova eleição. No entanto, os eleitos neste pleito ficarão no cargo por apenas cerca de um mês, já que a posse está prevista para 29 de novembro e, em 1º de janeiro do próximo ano, assumem os vereadores eleitos em outubro deste ano para a nova legislatura.
Entre os 22 candidatos que disputam na eleição suplementar estão cinco que já foram eleitos em outubro, cinco suplentes e quatro que não conseguiram se eleger. A Justiça Eleitoral não impôs restrições para participação, permitindo que nomes conhecidos da política local também concorram a este mandato temporário.
A cassação impactou significativamente a composição política da Câmara Municipal. Antes das cassações, o MDB, partido do atual prefeito de Castelândia, Marcos Antônio Carlos, conhecido como "Marcos da Farmácia", detinha a maioria com cinco dos nove assentos. No entanto, com a nova composição, o PSD, partido de oposição, passou a ter oito cadeiras, tornando-se a maioria. O presidente do Legislativo municipal, Roberto Carlos de Souza, o "Roberto Preto", foi eleito em 2020 pelo PSD, mas migrou para o MDB.
O prefeito Marcos da Farmácia expressou preocupação com os prejuízos causados ao município devido à paralisação de projetos de interesse da Prefeitura nas comissões da Câmara, enquanto os vereadores aguardavam a decisão judicial. Ele também prevê uma alta abstenção no pleito de domingo, já que coincide com a segunda etapa do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), levando muitos jovens a se deslocarem para outras cidades para fazer a prova.
Além disso, a proximidade das datas entre as eleições ordinárias e a suplementar gerou confusão entre os moradores de Castelândia.
"Estamos considerando fazer uma campanha de divulgação para incentivar mais eleitores a comparecerem às urnas e reduzir a abstenção", afirmou o prefeito.

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