Justiça da Itália nega extradição de Carla Zambelli e ordena soltura, diz deputado Gustavo Gayer
A Corte Suprema de Cassação da Itália — a última instância do Judiciário italiano — negou, nesta sexta-feira (22), o pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) para o Brasil.

A Corte Suprema de Cassação da Itália — a última instância do Judiciário italiano — negou, nesta sexta-feira (22), o pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) para o Brasil. Com a decisão, os magistrados anularam o parecer anterior da Corte de Apelações, que havia autorizado o envio da parlamentar ao país.
A ex-deputada, que estava presa preventivamente em Roma desde julho de 2025, teve sua libertação determinada pela Corte. O advogado de defesa, Fabio Pagnozzi, celebrou o resultado, afirmando que o tribunal reconheceu o status de "perseguida política" da cliente. "Conseguimos que não fosse extraditada a pessoa mais perseguida do Brasil. Amanhã ela pode voltar para casa como uma mulher livre", declarou Pagnozzi após o julgamento.
Carla Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão por seu envolvimento na invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), crime ocorrido em 2023. O episódio, que visava à emissão de um mandado falso de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes, também resultou na condenação do hacker Walter Delgatti Neto, que recebeu uma pena de oito anos e três meses — ele já progrediu para o regime aberto.
Apesar da vitória na Corte de Cassação, o desfecho final do caso ainda não é definitivo. Pela legislação italiana, após o esgotamento das instâncias judiciais, a palavra final cabe ao ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio. O ministro tem um prazo de até 45 dias para se posicionar, podendo confirmar a negativa de extradição ou, ainda, decidir pelo seu cumprimento.
O governo brasileiro, por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), classificou a decisão da Corte de Cassação como "inesperada". Enquanto a defesa de Zambelli comemora o que considera um reconhecimento de perseguição política, o governo brasileiro ainda avalia os desdobramentos para a efetivação da sentença penal imposta pelo STF.

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