Juiz de Goiás vira réu por suposta fraude de R$ 18 milhões
Levine Raja Gabaglia Artiaga enfrenta acusações de peculato, corrupção passiva, corrupção ativa, estelionato, falsidade ideológica, organização criminosa e lavagem de capitais.

O juiz aposentado Levine Raja Gabaglia Artiaga, de 45 anos, virou réu acusado de integrar uma quadrilha responsável pelo desvio de R$ 18 milhões através de decisões fraudulentas durante seu mandato na comarca de Corumbá de Goiás. Levine foi afastado do cargo em dezembro de 2000 e aposentado compulsoriamente em outubro do ano seguinte.
O processo original foi desmembrado em dois, e somente agora a denúncia contra ele e mais dois acusados de integrar o “núcleo judicial” do grupo foi aceita pela Justiça.
Levine enfrenta acusações de peculato, corrupção passiva, corrupção ativa, estelionato, falsidade ideológica, organização criminosa e lavagem de capitais. Junto com ele, o pastor Efraim Soares de Moura e Graciele Matias dos Santos também são réus. Efraim atuava como intermediário entre o núcleo jurídico e o operacional da quadrilha, enquanto Graciele era assistente do juiz no gabinete. A juíza Placidina Pires, da 1ª Vara dos Feitos Relativos a Delitos Praticados por Organização Criminosa da comarca de Goiânia, marcou a audiência de instrução para março de 2025.
O Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) identificou indícios de fraude em pelo menos 43 processos que passaram pelas mãos de Levine em Corumbá. No entanto, a ação penal analisada por Placidina se aprofundou em apenas seis casos, dos quais em dois não se consumaram os crimes de estelionato e peculato. Nos outros quatro, a organização criminosa teria obtido mais de R$ 18 milhões, dos quais 10% teriam ficado com o juiz aposentado.
As ações investigadas envolvem reconhecimento de paternidade post mortem, alvarás judiciais e execução de título extrajudicial. Entre 2017 e 2020, o grupo obtinha informações sobre contas bancárias com valores vultosos e sem movimentação e, a partir desses dados, montava ações judiciais com base em documentos falsos, personagens fictícios e vínculos de parentesco fabricados.

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