Jair Bolsonaro é preso preventivamente a pedido da Polícia Federal
A prisão, decretada pelo Ministro Alexandre de Moraes na manhã deste sábado (22), foi uma medida cautelar e não tem relação com a condenação de 27 anos por tentativa de golpe

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi preso na manhã deste sábado (22) por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). A prisão, de natureza preventiva e cautelar, foi solicitada pela Polícia Federal (PF). O Ministro Alexandre de Moraes justificou a decisão citando a convocação de uma vigília de apoiadores em frente à residência do ex-presidente por seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na noite anterior. Moraes viu na mobilização um risco de obstrução à Justiça e uma possível nova tentativa de fuga.
A ordem de prisão não está ligada à condenação do ex-presidente, de 27 anos, por tentativa de golpe de Estado — pena que ainda aguarda o trânsito em julgado e recursos. Em sua decisão, o Ministro Alexandre de Moraes apontou que a convocação da vigília, mesmo apresentada como um ato em favor da saúde de Bolsonaro, indicava a repetição de táticas usadas anteriormente pela "organização criminosa" sob investigação: usar manifestações para obter vantagens pessoais e "causar tumulto".
O ministro relembrou ainda que o ex-presidente, conforme apurado em investigações anteriores, havia planejado uma fuga para a Embaixada da Argentina, por meio de um pedido de asilo político. Moraes citou que a residência de Bolsonaro fica a apenas 13 quilômetros do Setor de Embaixadas Sul, em Brasília, uma distância que poderia ser percorrida em menos de 15 minutos.
Moraes também mencionou que um vídeo divulgado por Flávio Bolsonaro "incita o desrespeito ao texto constitucional, à decisão judicial e às próprias instituições".
A Prisão e o Destino
Agentes da Polícia Federal detiveram o ex-presidente por volta das 6h. Bolsonaro, que cumpria prisão domiciliar desde 4 de agosto por descumprimento de medidas cautelares (como o uso das redes sociais de aliados para atacar o STF), reagiu com tranquilidade à prisão. A ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, não estava na residência no momento da detenção.
O comboio da PF chegou à Superintendência da corporação no Distrito Federal às 6h35. Após os procedimentos de praxe, o ex-presidente foi alocado em uma "Sala de Estado", espaço reservado para autoridades de alto escalão. Para evitar exposição pública, a Polícia Federal acionou agentes do Instituto Médico-Legal (IML) para realizar o exame de corpo de delito no próprio local.
A PF informou, por meio de nota, que cumpriu o mandado expedido pelo STF. A defesa de Bolsonaro, por sua vez, alegou que não havia sido formalmente notificada da prisão até as 6h40. Vale ressaltar que, na véspera da prisão preventiva, os advogados de Bolsonaro haviam solicitado ao STF a substituição do regime fechado (da condenação por golpe) por prisão domiciliar humanitária, citando o "quadro clínico grave" do ex-presidente.

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