Investimentos crescem quase 110%, mas previdência pode custar até R$ 7,36 bilhões
Secretário de Economia, Sérvulo Nogueira, apresentou, em audiência pública na Alego, nesta quarta-feira (03), um panorama detalhado dos resultados fiscais do primeiro quadrimestre de 2025

Secretário de Economia do Estado de Goiás, Sérvulo Nogueira, apresentou, em audiência pública realizada nesta quarta-feira (03), na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), um panorama detalhado dos resultados fiscais do primeiro quadrimestre de 2025. Os dados, que estão alinhados com a Lei de Responsabilidade Fiscal, mostram um desempenho robusto em termos de receita, dívida e limites de pessoal, embora os gastos com previdência estejam causando preocupações crescentes.
Arrecadação e Investimentos
Segundo o Relatório Resumido de Execução Orçamentária, a arrecadação estadual apresentou um crescimento significativo em relação ao mesmo período de 2024. Este avanço foi crucial para sustentar o resultado orçamentário, que se viu impactado por eventos extraordinários totalizando R$ 1,15 bilhão. Desta quantia, R$ 414 milhões foram destinados ao pagamento de precatórios referentes aos anos de 2020 e 2021, enquanto R$ 740 milhões foram alocados para a recomposição do Fundo Reserva.
O Tesouro Estadual destacou que tais movimentações reforçam a disciplina fiscal adotada pela gestão.
Em um aspecto positivo, os investimentos do Estado cresceram impressionantes 109,14% no terceiro bimestre em comparação ao ano anterior, o que reflete um compromisso claro com o desenvolvimento. Isto se traduz em melhorias significativas nas áreas de educação e saúde, que estão acima dos mínimos constitucionais exigidos. No que tange ao Manutenção e Desenvolvimento do Ensino (MDE), os gastos superaram os valores do ano anterior, enquanto os investimentos em saúde ultrapassaram a exigência legal de 12% da Receita Corrente Líquida (RCL), assegurando uma margem de segurança financeira.
Desafios Financeiros
Apesar da boa performance em investimentos e arrecadação, o governo enfrenta desafios significativos, especialmente no que diz respeito à previdência. No acumulado até o terceiro bimestre, os gastos previdenciários alcançaram R$ 3,69 bilhões, e há a previsão de que este número suba para R$ 7,36 bilhões até o final do ano. Esse aumento coloca pressão sobre o Tesouro Estadual e promete ser um dos principais temas nas discussões fiscais nos próximos meses.
Outro ponto de preocupação identificado foi a significativa retração da arrecadação do Fundo Estadual de Infraestrutura (Fundeinfra), que apresentou uma queda de 20,87% em comparação a julho de 2024. O deputado Antônio Gomide (PT-GO) questionou durante a audiência sobre o saldo acumulado do fundo. Nogueira explicou que, apesar da oscilação, o fundo ainda mantém um superávit expressivo, com valores entre R$ 2,3 e R$ 2,4 bilhões disponíveis em caixa.
“O total de arrecadação anual do Fundeinfra gira em torno de R$ 900 milhões a R$ 1 bilhão”, afirmou o secretário, destacando ainda os R$ 400 milhões já liquidados em pagamento.
Perspectivas Futuras
Na coletiva de imprensa que se seguiu à audiência, Sérvulo Nogueira foi otimista com as perspectivas para o restante do ano, prevendo uma receita acumulada de R$ 34 bilhões até agosto, com a expectativa de chegar a R$ 44,5 bilhões até o final de 2025. O secretário enfatizou que Goiás está vivenciando um período de expansão de investimentos, um reflexo do esforço de ajuste fiscal realizado ao longo dos seis anos do governo Ronaldo Caiado.
“Estamos expandindo todos os investimentos necessários e que foram tão aguardados pela população. O ano de 2025 será marcado por grandes entregas, com a previsão de que R$ 3,5 a R$ 3,7 bilhões sejam aplicados em infraestrutura até o final do ano”, explicou.
Além disso, a coletiva também abordou o Programa de Promoção do Equilíbrio Fiscal (Propag), que foi autorizado pela Assembleia, mas ainda está em fase de negociação com o governo federal. Nogueira comentou que o processo está sendo tratado com a Secretaria do Tesouro Nacional e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, e afirmou que a expectativa é de que tudo esteja resolvido até outubro de 2025.
Com essas medidas e previsões, o governo de Goiás se prepara para enfrentar os desafios econômicos, ao mesmo tempo em que busca garantir a continuidade dos investimentos necessários para o desenvolvimento do estado.

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