Investigado por desvio de R$ 10 milhões da Saúde de Goiânia, Pollara promete se entregar após cirurgias
Thiago Peres, advogado do ex-secretário, reitera que seu cliente segue em tratamento contra um câncer no rim em São Paulo e não se apresentou à polícia ainda "em virtude da fragilidade de seu quadro de saúde"

Wilson Modesto Pollara, ex-secretário de Saúde de Goiânia, continua foragido um mês após ter sua prisão decretada pela Polícia Civil de Goiás. O médico paulista, investigado por desvio de R$ 10 milhões em recursos da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), enfrenta sérias acusações de corrupção e má gestão de contratos públicos.
A saga judicial de Pollara teve início em 27 de novembro do ano passado, quando foi preso pela primeira vez durante a Operação Comorbidade, conduzida pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO). A operação visava investigar irregularidades em contratos da SMS.
Naquela ocasião, além de Pollara, foram presos temporariamente o então secretário executivo e o diretor financeiro da Saúde. As investigações do MP apontaram que os envolvidos concederam vantagens indevidas em contratos, desrespeitando a ordem cronológica de pagamentos.
Em 7 de dezembro, Pollara e os outros dois investigados foram liberados após o MP concluir que não havia motivos para converter a prisão temporária em preventiva. No entanto, a liberdade durou pouco. Dez dias depois, em 17 de dezembro, Pollara voltou a ser alvo da Polícia Civil, agora acusado de desviar R$ 10 milhões da Saúde municipal.
Quando as autoridades tentaram cumprir o novo mandado de prisão, Pollara não foi encontrado nos endereços informados à Justiça, sendo então considerado foragido.
A defesa de Pollara afirma que o ex-secretário está em São Paulo realizando tratamento contra um câncer no rim. O advogado Thiago Peres, em nota divulgada na última quinta-feira (16), reiterou que seu cliente não se apresentou "em virtude da fragilidade de seu quadro de saúde".
Segundo Peres, Pollara será submetido a dois procedimentos cirúrgicos nos próximos dias:
- Uma nefrectomia parcial para remover parte do rim afetado pelo tumor
- Uma linfadenectomia retroperitoneal para remover os gânglios linfáticos da região retroperitoneal
O advogado garante que, assim que os procedimentos forem realizados, Pollara irá se apresentar à polícia "para prestar todos os esclarecimentos necessários".
A Polícia Civil de Goiás informou que continua tomando medidas para concluir as investigações e segue em busca do investigado. A corporação ressaltou que qualquer integrante das forças de segurança está autorizado a dar cumprimento à ordem de prisão contra Pollara.
O caso também envolve Quesede Ayres, ex-secretário executivo da SMS, que inicialmente também havia sido considerado foragido. No entanto, Ayres se apresentou à polícia em 20 de dezembro e desde então permanece detido.

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