Governo Trump recua e deixa de acusar Maduro de chefiar cartel de drogas
Maduro se declarou inocente e afirmou ser um “prisioneiro de guerra” durante audiência realizada na segunda-feira (5).

O governo dos Estados Unidos recuou e retirou a acusação de que Nicolás Maduro seria o chefe do chamado Cartel de Los Soles, suposta organização de narcotráfico venezuelana. O Departamento de Justiça reescreveu a denúncia contra o ex-presidente e abandonou a tese apresentada originalmente em 2020, quando Washington afirmava que ele liderava diretamente um cartel classificado como terrorista.
A mudança foi revelada em reportagem do jornalista Charlie Savage, do The New York Times. Na nova versão da acusação, divulgada no mesmo dia da operação que resultou na prisão de Maduro, o governo norte-americano passou a descrevê-lo como alguém que “participa, protege e perpetua uma cultura de corrupção ligada ao tráfico de drogas”, da qual teria se beneficiado financeiramente, sem apontá-lo como líder direto da organização.
O Cartel de Los Soles, que havia sido designado como organização terrorista pelos EUA ao longo de 2025, aparece apenas duas vezes no novo documento. O termo deixa de representar uma estrutura criminosa formal e passa a ser tratado como uma referência genérica a um sistema de patronagem e corrupção envolvendo integrantes da elite civil e militar da Venezuela.
Segundo a denúncia, tanto Maduro quanto o ex-presidente Hugo Chávez teriam participado de um esquema no qual autoridades civis, militares e de inteligência se beneficiavam do tráfico internacional de drogas. Especialistas já vinham questionando a existência do cartel como uma organização hierarquizada, descrevendo-o como uma “rede de redes” sem comando central definido.
Maduro e a esposa, Cilia Flores, foram presos no sábado (3), em Caracas, durante a operação norte-americana batizada de “Absolute Resolve”, e transferidos para custódia federal nos Estados Unidos. Ambos respondem a processos no Tribunal Distrital Federal do Sul de Nova York.
Apesar do recuo na acusação sobre a liderança do cartel, Maduro continua respondendo por quatro crimes: conspiração para narcoterrorismo, conspiração para tráfico de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos, e conspiração para posse de armas destinadas ao narcotráfico. Ele se declarou inocente e afirmou ser um “prisioneiro de guerra” durante audiência realizada na segunda-feira (5).

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