Governo Lula mira cargos de aliados de Bolsonaro e inicia 'faxina' em fundo de pensão dos Correios
Após derrota em MP, Planalto demite indicados do PL na Caixa Econômica; próximo alvo é o é o fundo de pensão dos Correios

O Palácio do Planalto abriu uma frente de "reorganização" na base aliada e colocou na mira cargos estratégicos em estatais e fundos de pensão ocupados por indicados de partidos que votaram contra o governo no Congresso. O alvo da vez é o Postalis, o fundo de pensão dos Correios, onde o foco está em duas das três diretorias, ambas apadrinhadas pelo Partido Liberal (PL), do ex-presidente Jair Bolsonaro. A movimentação é uma resposta direta à derrota do governo em uma Medida Provisória (MP) de arrecadação.
O movimento de retaliação e ajuste de contas começou a ganhar corpo na semana passada, quando o governo promoveu a exoneração de um indicado do PL na vice-presidência de Sustentabilidade e Cidadania Digital da Caixa Econômica Federal.
Agora, o foco se volta para o Postalis. O fundo possui três diretorias, e duas delas — a de Investimentos e a de Gestão Previdencial — são comandadas por indicados de deputados federais do PL. A expectativa no Planalto é de que essas posições sejam substituídas por nomes mais alinhados ao governo.
A Regra do Jogo
A ação de "limpa" foi confirmada pela ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, em declaração à coluna Igor Gadelha. Segundo a ministra, a reorganização tem aval do presidente Lula e é um recado claro à base do Congresso: "Vamos reorganizar a base do governo e fazer as mudanças necessárias, com muita responsabilidade. Mas quem quiser estar no governo deverá ser voto do governo no Congresso", disse Gleisi.
A ministra deixou claro que o corte de cargos não se restringirá apenas ao PL, mas atingirá outros partidos da base que votaram contra o governo na MP, citando siglas como PP, PSD, Republicanos, União Brasil e MDB. "Vamos tirar cargos de todos que votaram contra o governo na MP", sentenciou.
A MP em questão trazia alternativas de arrecadação, como o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), e sua derrota foi vista como um sinal de fragilidade do governo no Congresso. A "faxina" em cargos de segundo e terceiro escalão é a resposta imediata do Palácio do Planalto para reforçar a disciplina e o alinhamento político de quem ocupa postos-chave na máquina pública federal.

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