Governador afastado do TO teria usado casa de sogra para esconder provas após descobrir investigação
Relatório aponta que malas e caixas foram retiradas às pressas de imóveis ligados a Wanderlei Barbosa

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira (12) a Operação Nêmesis, que investiga o governador afastado do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos), por suspeita de tentar atrapalhar as investigações da Operação Fames-19 — que apura desvios de mais de R$ 70 milhões na compra de cestas básicas durante a pandemia.
Um dos focos principais da nova ação foi a casa de Joana Darc Sotero Campos, mãe da primeira-dama Karynne Sotero. Segundo o Pedido de Busca e Apreensão Criminal (PBAC 95/DF), autorizado pelo ministro Mauro Campbell Marques do STJ, o imóvel teria sido usado para ocultar bens, documentos e valores após o casal tomar conhecimento prévio da operação anterior.
Ocultação e Esvaziamento na Madrugada
O relatório da PF aponta que a residência da sogra, localizada na Quadra 603 Sul, em Palmas, serviu de ponto de apoio logístico para transporte e armazenamento de malas, caixas e mochilas retiradas de outros imóveis ligados a Wanderlei Barbosa e à primeira-dama.
Essa movimentação foi registrada em 3 de setembro de 2025, data em que a PF cumpria mandados da segunda fase da Operação Fames-19. O endereço da sogra foi inicialmente citado em uma denúncia anônima que alertava sobre veículos oficiais e pessoas ligadas aos investigados descarregando volumes no local. A PF descreve a "intensa movimentação" de caixas na residência e nos veículos.
As diligências também registraram a presença do próprio governador, que não compareceu ao depoimento marcado na PF no mesmo dia. Imagens analisadas pelos investigadores mostram o político dentro de uma caminhonete em frente ao imóvel, orientando o transporte dos objetos. A PF concluiu que a casa da mãe de Karynne Sotero "concorria materialmente" para o embaraço da investigação.
Evasão de provas
O relatório sugere que a movimentação de bens foi precipitada por um vazamento de informação. Wanderlei Barbosa e Karynne Sotero teriam deixado a residência oficial às pressas, por volta das 23h37 do dia 2 de setembro, logo após a visita do advogado Thomas Jefferson Gonçalves Teixeira, ex-secretário e suspeito de repassar o aviso da operação.
Na manhã seguinte, agentes encontraram na residência oficial um cofre aberto e vazio, além de um celular com as configurações "resetadas" e R$ 52 mil escondidos no fundo de um armário. A PF concluiu que essas evidências apontam para uma "tentativa deliberada de eliminar ou ocultar provas".
As filhas de Karynne Sotero também foram citadas nas investigações e tiveram seus nomes incluídos em alvos de busca, sob suspeita de terem "plena ciência" dos atos e participarem da evasão e ocultação.
O Que Dizem os Citados
Wanderlei Barbosa O governador afastado declarou que recebeu a nova operação da PF com estranheza, especialmente em um momento de expectativa pelo julgamento do Habeas Corpus que pode devolvê-lo ao cargo. Ele reiterou a disposição de colaborar com as investigações e a confiança na Justiça.
Karynne Sotero A primeira-dama negou as acusações de tentativa de embaraço, classificando-as como "infundadas" e anônimas. Ela lamentou a ação contra familiares, citando que sua mãe, uma senhora de mais de 75 anos, passou mal e precisou ser hospitalizada. Karynne também reafirmou sua inteira disposição em colaborar para o esclarecimento dos fatos.

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