Goiás completa cinco anos sem rebeliões e reduz em 99% a entrada de celulares nos presídios
Governador apresentou a parlamentares federais as mudanças na gestão penitenciária e ressaltou que disciplina foi essencial para reduzir a violência no Estado.

O governador Ronaldo Caiado (UB) apresentou, nesta quarta-feira (24), os avanços do sistema penitenciário de Goiás a deputados federais de sete estados, entre eles Goiás, Distrito Federal, Rio de Janeiro, Alagoas, Bahia, Minas Gerais e Rondônia. A visita ocorreu no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia e antecedeu audiência pública sobre a PEC nº 18/2025, que redefine competências da União, estados e municípios na área de segurança pública e sistema prisional.
Durante a visita, Caiado afirmou que Goiás é exemplo nacional por manter controle total das penitenciárias. “O primeiro ponto para combater o crime é o sistema penitenciário. Se ele não tiver 100% sob controle, o crime não poupa os cidadãos”, disse. O governador destacou também programas de ressocialização que oferecem trabalho e capacitação profissional aos detentos, como marcenaria, oficinas de costura e salas de aula. Só em 2024, quase 5 mil presos estiveram matriculados em cursos de ensino fundamental, médio e superior.
O diretor-geral de Administração Penitenciária, Josimar Pires, ressaltou que os blocos de trabalho não separam integrantes de facções, garantindo disciplina e adesão ao trabalho. O deputado federal Ismael Alexandrino afirmou que não há enfrentamento ao crime sem o controle do sistema penitenciário. Já a deputada mineira Ione Maria Moreira defendeu que o modelo de Goiás seja replicado em todo o país.
Investimentos e resultados
Entre 2019 e 2024, o governo estadual investiu R$ 350 milhões no sistema penitenciário em reformas, construção de unidades, aquisição de veículos, armamentos e equipamentos. Apenas neste ano, a Polícia Penal recebeu R$ 41,9 milhões para equipamentos de segurança e 86 novas viaturas.
Como resultado, Goiás está há cinco anos sem registrar rebeliões, reduziu em 99% a entrada de celulares entre 2018 e 2024 e não registra apreensão de armas de fogo nos presídios desde 2023.
Debate sobre a PEC da Segurança Pública
Após a visita, a comitiva participou de seminário na Assembleia Legislativa de Goiás, que discutiu a PEC da Segurança Pública. Caiado defendeu que a proposta será um “divisor de águas” no combate às facções criminosas. Ele defendeu que os grupos sejam reconhecidos como organizações terroristas e pediu que os estados tenham acesso a dados do COAF para agilizar investigações financeiras.
O encontro, proposto pelo deputado federal Ismael Alexandrino, vice-presidente da comissão especial que analisa a PEC na Câmara, contou com a presença de parlamentares, representantes do Ministério da Justiça e das forças de segurança. O presidente da Assembleia, Bruno Peixoto, classificou Goiás como exemplo nacional e reforçou a importância do debate.

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