Goiânia se recupera de rombo deixado por Cruz e fecha 2025 com superávit de R$ 583 milhões
A disponibilidade líquida de caixa também aumentou, passando de R$ 572 milhões em 2024 para cerca de R$ 1,2 bilhão no ano passado.

O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (UB), apresentou nesta segunda-feira (16), na Câmara Municipal, a prestação de contas referente ao terceiro quadrimestre de 2025. Durante a exposição, a gestão municipal destacou indicadores fiscais que apontam crescimento da arrecadação, redução de despesas e ampliação da capacidade de investimento da capital. A gestão do ex-prefeito Rogério Cruz encerrou seu mandato em 2024 deixando um cenário fiscal crítico, com uma dívida total estimada em R$ 4 bilhões.
Segundo o prefeito, o resultado é fruto de medidas de ajuste nas contas públicas e do aumento das receitas municipais. “Estamos conseguindo equilibrar as contas com redução de despesas e aumento de arrecadação. Também tivemos apoio da Câmara na aprovação de projetos importantes, como o decreto de calamidade que ajudou a atravessar o primeiro ano de gestão”, afirmou.
De acordo com os dados apresentados, a prefeitura encerrou 2025 com superávit orçamentário de R$ 583 milhões. A disponibilidade líquida de caixa também aumentou, passando de R$ 572 milhões em 2024 para cerca de R$ 1,2 bilhão no ano passado. A administração também destacou que herdou mais de R$ 4 bilhões em dívidas da gestão anterior.
Para os próximos anos, Mabel projeta ampliação dos investimentos públicos. A estimativa da prefeitura é aplicar mais de R$ 4 bilhões até 2028 em obras estruturantes, modernização urbana e expansão de serviços públicos.
Arrecadação histórica
A arrecadação total do município chegou a R$ 10,02 bilhões em 2025, o que representa aumento de 9,64% em relação ao ano anterior e crescimento real de 5,16% acima da inflação. O resultado marca o maior volume de receitas já registrado nas contas da capital.
Em quatro anos, a receita municipal passou de cerca de R$ 6,5 bilhões, em 2021, para mais de R$ 10 bilhões.
Outro destaque apontado pela gestão foi o aumento da participação das receitas próprias do município, o que reduz a dependência de repasses de outros entes federativos e amplia a autonomia fiscal da prefeitura.
Investimentos aumentam 56%
Com o crescimento da arrecadação e maior controle dos gastos, a prefeitura ampliou os investimentos públicos. Os recursos destinados a obras e melhorias passaram de R$ 320 milhões em 2024 para R$ 501 milhões em 2025 — alta de 56,5%.
Os investimentos foram direcionados principalmente para áreas como infraestrutura urbana, mobilidade, iluminação pública, saúde e educação.
Corte de despesas e prioridades
A gestão municipal também informou ter realizado revisão das despesas administrativas. As despesas correntes tiveram redução de 3,5% em valores nominais e queda real de 7,44%, considerando a inflação. Já as despesas totais apresentaram redução real de 5%.
Segundo a prefeitura, o controle dos gastos permitiu ampliar o espaço no orçamento para investimentos.
Os dados também indicam que as áreas sociais continuam recebendo a maior parte dos recursos públicos. Em 2025, o município aplicou 21,55% da receita em saúde — acima do mínimo constitucional de 15% — e 25,83% em educação, superando o mínimo legal de 25%.
Situação fiscal dentro dos limites
Os indicadores fiscais apresentados mostram que o município permanece dentro dos limites estabelecidos pela legislação.
A despesa com pessoal corresponde a 45,97% da Receita Corrente Líquida, abaixo do limite de 54% previsto na legislação fiscal. Já a dívida consolidada líquida representa 8,06% da receita, percentual bem inferior ao limite máximo de 120%.
De acordo com a prefeitura, o baixo nível de endividamento e o aumento da liquidez financeira ampliam a capacidade do município de realizar novos investimentos e planejar ações de médio e longo prazo.

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