Gestão Cruz pode não cumprir com pagamento da folha de dezembro e preocupa servidores
Ex-secretário de Finanças, Vinicius Henrique teria pedido demissão do cargo pela dificuldade em implementar as medidas de austeridade necessárias para estabilizar as finanças de Goiânia

A crise financeira da Prefeitura de Goiânia parece ter se instalado por todos os lados. Após o escândalo na Saúde, com dívidas que giram em torno dos R$ 260 milhões, com várias unidades parando os atendimentos e médicos e outros servidores podendo entrar em paralisação ou greve a qualquer momento, agora o caos seria a possibilidade de o Executivo não conseguir cumprir com a folha de pagamento de dezembro, prejudicando os servidores municipais.
Vinicius Henrique Pires Alves, então secretário de finanças de Goiânia, publicou o decreto nº 3.590, estabelecendo medidas orçamentárias rigorosas para garantir que a Prefeitura de Goiânia encerrasse o ano de 2024 sem déficits ou atrasos na folha de pagamento. Entre as providências, o decreto suspendeu novos empenhos para o ano e concedeu à Secretaria Municipal de Finanças (Sefin) o poder de anular empenhos pendentes para assegurar o equilíbrio financeiro.
Na última sexta-feira (11), Vinicius Alves se exonerou do cargo, alegando motivos pessoais relacionados a obrigações familiares e empresariais. No entanto, fontes internas da Prefeitura acreditam que sua saída está ligada à dificuldade em implementar as medidas de austeridade necessárias para estabilizar as finanças do município.
Uma das principais preocupações é a possibilidade de não conseguir honrar a folha de pagamento dos servidores em dezembro.
"Medidas estão sendo tomadas, mas, para conseguir pagar a folha, é preciso cortar empenhos desde agora", afirmou um servidor.
Documentos internos da Prefeitura revelam que, apesar de manter uma arrecadação corrigida pela inflação nos últimos anos (aproximadamente R$ 7,1 bilhões), as despesas cresceram significativamente, alcançando R$ 6,7 bilhões no ano passado. Desde 2022, a Prefeitura tem readequado diversos planos de cargos e salários, resultando em um impacto de quase R$ 100 milhões apenas para os servidores administrativos. No total, a folha de pagamentos dobrou em relação a 2021, chegando a R$ 400 milhões anuais.
Um levantamento da MultiCidades, publicado em janeiro pela Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP), aponta que Goiânia é o município com mais gastos públicos do Centro-Oeste e o pior desempenho no gerenciamento das contas públicas em 2023. Além do aumento das despesas com a folha de pagamento, contratos problemáticos continuam a agravar a situação financeira.
Em abril deste ano, a responsabilidade pelos serviços de coleta de lixo e retirada de entulhos foi transferida da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) para a Limpa Gyn, com a expectativa de reduzir os custos de R$ 56 milhões mensais para R$ 19,5 milhões. No entanto, os repasses à Limpa Gyn atualmente são de cerca de R$ 20 milhões, enquanto a Comurg continua recebendo aproximadamente R$ 46 milhões, resultando em um aumento dos gastos em vez da economia esperada.
Um servidor descreveu a falta de controle sobre o orçamento que levou ao déficit da Prefeitura.
"Temos uma Lei Orçamentária Anual (LOA) que foi aprovada e prevê um orçamento. Mas existem modalidades de contrato, como aquelas com as maternidades, que funcionam sob demanda — há um empenho estimado, mas, caso sejam emitidas mais ordens de serviço do que o previsto, a Sefin tem de pagar. O que aconteceu em Goiânia foi a antecipação dos gastos do ano, de forma que podem faltar recursos do tesouro para terminar de pagar a folha."
A situação financeira de Goiânia continua crítica, e a administração municipal enfrenta o desafio de implementar medidas eficazes para garantir a estabilidade orçamentária e o pagamento dos servidores.
*Com informações Jornal Opção

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