Gestão Cruz fingia que ambulâncias quebradas estavam rodando para desviar dinheiro, diz PF
À época, auditoria do Ministério da Saúde apontou responsabilidade direta do ex-secretário de Saúde de Goiânia, Durval Pedroso, que ocupou o cargo até dezembro de 2023

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Goiânia virou alvo da Polícia Federal após suspeitas de um esquema que teria simulado atendimentos para manter repasses federais. A investigação atinge diretamente o ex-secretário municipal de Saúde da gestão de Rogério Cruz (SD), Durval Pedroso, que ocupou o cargo até dezembro de 2023.
Auditoria do Ministério da Saúde, realizada em abril de 2024, identificou que sete das 17 ambulâncias do Samu estavam paradas em oficinas — mas constavam como ativas nos relatórios enviados ao governo federal. Com a manipulação de dados, a Secretaria Municipal de Saúde teria continuado recebendo recursos destinados à manutenção da frota, mesmo sem prestar o serviço à população.
O prejuízo estimado em quase R$ 12 milhões, segundo técnicos do Ministério. Por determinação do órgão, Durval Pedroso pode ser obrigado a devolver R$ 8,9 milhões do próprio bolso, enquanto o Samu deverá ressarcir R$ 2,1 milhões aos cofres públicos.
Auditoria escancara irregularidades
O caso ganhou corpo quando os auditores federais questionaram a utilização de viaturas que, na prática, não saíam das oficinas. Ainda assim, elas apareciam em relatórios como se estivessem realizando atendimentos de urgência.
Um dos exemplos citados é a Unidade de Suporte Avançado (USA 04), que teria recebido R$ 770 mil entre janeiro de 2022 e junho de 2023 — o equivalente a R$ 48 mil por mês — mesmo com indícios de que o veículo não estava em operação.
O documento da auditoria recomendou a suspensão imediata dos repasses federais para serviços não prestados e apontou que os dados eram incompatíveis com a realidade do atendimento na capital.
PF abre inquérito e lança operação
Diante dos indícios de fraude, o Ministério Público Federal acionou a Polícia Federal, que instaurou um inquérito para apurar “irregularidades sistemáticas” na gestão do Samu entre 2022 e 2024, período da administração de Rogério Cruz.
Nesta sexta-feira (28), a PF e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram a Operação Check-up 192, que mira possíveis desvios de recursos, simulação de serviços e irregularidades na manutenção da frota.
Foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão pela 5ª Vara Federal Criminal — sete em Goiânia e dois em Aparecida de Goiânia. Os alvos incluem servidores municipais, empresas e pessoas físicas suspeitas de integrar um esquema que mantinha ambulâncias paradas enquanto registrava despesas como se estivessem ativas.
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Entre as suspeitas levantadas estão:
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superfaturamento em contratos de manutenção,
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uso de oficinas clandestinas,
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notas fiscais possivelmente falsas,
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e serviços registrados que nunca ocorreram.
Atendimentos em queda e sinais de colapso
Os investigadores afirmam que, à época da gestão Durval Pedroso e de Rogério Cruz, os indícios de deterioração do serviço correspondem ao período da suposta fraude. Relatórios internos do Samu mostram queda no número de atendimentos e atrasos no tempo de resposta, enquanto os gastos continuavam sendo lançados como se a estrutura estivesse em plena capacidade.
Apesar da abertura do inquérito e do avanço das apurações, nenhum dos investigados se manifestou publicamente até o momento.
As investigações seguem em andamento. A PF e a CGU devem analisar os documentos apreendidos e identificar se houve participação direta de agentes públicos no esquema. Caso seja comprovada fraude deliberada, os acusados podem responder por peculato, falsidade ideológica e improbidade administrativa.

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