Gayer pode virar réu por chamar Vanderlan de "vagabundo" e "vendido"; Moraes já votou "sim"
Vanderlan alegou que Gayer se referiu aos senadores como “vagabundos” e insinuou que teriam “se vendido” por cargos em troca do apoio a Pacheco

Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou, na última sexta-feira (25), a análise de uma queixa-crime apresentada pelo senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO) contra o deputado Gustavo Gayer (PL-GO). A discussão central é determinar se as declarações de Gayer, feitas em um vídeo divulgado em fevereiro, xingando o senador de vagabundo, entre outras ofensas, ultrapassam a proteção da imunidade parlamentar.
No vídeo, Gayer fez ofensas e acusações direcionadas a senadores, incluindo Vanderlan, que apoiaram Rodrigo Pacheco (PSD-GO) na liderança do Senado. Vanderlan alegou que Gayer se referiu aos senadores como “vagabundos” e insinuou que teriam “se vendido” por cargos em troca do apoio a Pacheco. O senador considera que essas declarações atentam contra sua honra, configurando calúnia, difamação e injúria.
Em sua defesa, Gayer argumenta que suas falas são amparadas pela imunidade parlamentar e a menção à “comissão” estava relacionada ao apoio político para a presidência da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) por Vanderlan. A defesa sustenta que as declarações fazem parte do debate político e o termo “comissão” não implica em corrupção, mas sim em apoio político.
O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, iniciou o julgamento com um voto favorável à aceitação da queixa-crime, defendendo que as declarações de Gayer estão fora do contexto da imunidade, ocorrendo em um ambiente que não se relaciona ao exercício de seu mandato.
O ministro Flávio Dino concordou, enfatizando que a imunidade não deve ser usada para justificar ofensas pessoais.
Investigação Paralela
Este caso se desenrola em meio a uma investigação da Polícia Federal sobre Gayer, aprovada pelo ministro Moraes, que examina o uso de verbas de sua cota parlamentar. Esta operação coincidiu com o início do julgamento no STF, levantando questões adicionais sobre as atividades do deputado.
O julgamento na Primeira Turma do STF deve prosseguir até 5 de novembro. Caso a queixa-crime seja aceita, Gayer poderá enfrentar acusações de calúnia, difamação e injúria, criando um importante precedente sobre os limites da imunidade parlamentar. A decisão final do STF poderá ter um impacto significativo na definição dos limites do discurso político e da proteção da imunidade parlamentar no Brasil.

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