Fraude no cartão de vacina da mulher de ex-ajudante de ordem de Bolsonaro começou em Goiás
A Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão na casa do médico Farley Vinicius, suspeito de ter fraudado os cartões de vacinação de Bolsonaro, da filha de 12 anos e de ex-auxiliares do então presidente. À época, ele trabalhava em Goiás

Foi em Cabeceiras, no Entorno do Distrito Federal (DF), que o médico oftalmologista Farley Vinícius Alencar Alcântara forneceu um cartão de vacinação assinado e carimbado por ele, atestando que a esposa do ex-ajudante de ordem de Jair Bolsonaro (PL), o tenente-coronel Mauro Cid, teria vacinado contra a Covid-19.
Segundo a Polícia Federal (PF), o documento foi usado em Duque de Caxias (RJ) na tentativa de fraudar o registro no sistema eletrônico do SUS, para torná-lo oficial.
Ainda conforme a PF, a tentativa teria falhado, já que o lote de vacinas informado tinha sido enviado para Goiás e não para o Rio de Janeiro, sendo assim, o sistema rejeitou as informações.
A polícia apura se Farley Vinícius, que, hoje atende em uma clínica de olhos particular, em São Gonçalo (RJ), também falsificou cartões físicos do ex-presidente Bolsonaro, da filha Laura, de 12 anos, do tenente-coronel Mauro Cid, além de sua esposa, Gabriela Santiago Ribeiro Cid.
Farley trabalhava na cidade de Cabeceiras em novembro de 2021 quando foi procurado pelo tio, o sargento Luiz Marcos dos Reis, para fraudar o cartão de vacina de Gabriela. Tanto o ex-mandatário, quanto os ex-subordinados, foram alvos da Operação Verine, deflagrada na manhã desta quarta-feira (3) pela PF.
Caso a fraude tivesse funcionado e o cartão passasse a ser oficial, poderia valer, por exemplo, para viagens internacionais.
Motivo da fraude
De acordo com informações da Polícia Federal, a falsificação foi feita para que o então presidente e sua filha pudessem entrar nos Estados Unidos sem restrições, já que a lei americana exigia a imunização comprovada.
Michelle Bolsonaro não teve o nome envolvido no esquema, já que se vacinou nos Estados Unidos em setembro de 2021.
A partir de mensagens trocadas entre Mauro Cid e seus ajudantes, a Polícia Federal apurou que foi preciso conseguir outro número de lotes de vacinas, este do Rio, para fazer o registro. Após os dados serem registrados no sistema, os arquivos foram impressos e apagados do sistema.
A PF só encontrou a adulteração após perícia no sistema. Até então, não se sabia que Jair Bolsonaro e sua filha também haviam registrado cartões falsos.

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